Se as tragédias causam uma espécie de excitação no ser humano, o que dizer do apocalipse, a maior de todas as desgraças? No cinema, então, o fim do mundo já foi narrado das mais diversas formas, de bombardeios nucleares a catástrofes naturais, passando por ataques de zumbis e maldições envolvendo a chegada do anticristo.

Para discutir esse tema tão assustador quanto fascinante, foi realizado nesta quinta-feira, dia 1 de novembro, durante a programação paralela à Feira do Livro de Porto Alegre, o debate Cinema e História: Versões do Apocalipse. A mesa reuniu os historiadores Cesar Augusto Barcellos Guazzelli, Charles Sidarta Machado Domingos e Rafael Hansen Quinsani.

Cena de Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick (Crédito: Divulgação)

Guazzelli abriu os trabalhos dando um panorama detalhado de como surgiram todas as teorias sobre o apocalipse, incluindo o “fatídico” dia 21 de novembro de 2012, para quando muitos esperam o tão propalado fim do mundo. Segundo ele, a complexa matemática do calendário solar, profecias pouco precisas e muitos outros fatores influenciaram para que se chegasse a essa data. “O mundo não acabou na chegada do primeiro milênio, nem no segundo. Muita gente acreditou que o fim estivesse próximo com os atentados às Torres Gêmeas de Nova York em 11 de setembro de 2011”, afirmou.

Já Domingos dissecou a Guerra Fria, conflito entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética, remetendo a um dos maiores temores do ser humano: o fim do mundo provocado por ele próprio, nesse caso, através de uma explosão nuclear.  “Se falou do fim de várias maneiras: catástrofes, acontecimentos sobrenaturais, situações causadas até mesmo por seres vindos de outros planetas. Mas na metade do século XX, o grande temor girava em torno do controle da informação e da tecnologia, mais precisamente nas corridas especial e armamentista. Em sumo, era uma disputa para ver quem seria capaz de destruir o mundo”, observou, lembrando do clássico Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, filme que aborda o conflito entre americanos e soviéticos e o possível desencadeamento de uma Terceira Guerra Mundial.

A iminência de uma guerra nuclear foi lembrada também por Quinsani, que ainda destacou a massiva presença de zumbis na lista de filmes apocalípticos. Contraponto Domingos, ele escolheu um filme russo sobre o assunto: O Sacrifício, de Andrei Tarkovski. “O grande mérito do filme é questionar o que o ser humano sente diante do fim do mundo. Ateu, o personagem principal não sabe o que fazer, resolve rezar e oferecer um sacrifício para salvar as pessoas que ama”, resumiu. “Outro elemento interessante nos filmes sobre apocalipse é o zumbi, que é uma representação impactante da morte. Em Terra dos Mortos (de George Romero), o egoísmo e a falta de capacidade de conviver entre os vivos são mais assustadores do que a ameaça dos mortos.”

O debate foi um pouco frustrante porque boa parte do público, desavisada, acreditava que a discussão giraria em torno de 13 filmes sobre o apocalipse, como propalava a programação. Ela não ocorreu nesta quinta, e sim durante o ano todo, como é possível constatar neste blog. E mais: um livro sobre o assunto será lançado, oportunamente, no dia 21 de novembro.

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