Crédito: Luiz Silveira

O pouco público pode acompanhar uma bela apresentação da Orquestra
O pouco público pode acompanhar uma bela apresentação da Orquestra Contemporânea de Olinda

O primeiro comentário que ouvi durante o show da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO), no Opinião, na última quinta-feira (07), foi um “E aí, tá curtindo?” que teve como resposta um “Muito!”, alongado nas vogais e dançante ao ritmo da mistura de pop, maracatu, forró, frevo e manguebeat da big band olindense.

Foi durante o inverno porto-alegrense que conheci a OCO. A animação, a vibração e o sotaque dos vocalistas logo fizeram eu me sentir no calor de Pernambuco. Patrocinada pela Petrobras, a turnê do álbum Bomfim, batizado com o nome de umas das ruas mais famosas de Olinda, trouxe os sete músicos de volta à capital gaúcha após 7 anos e junto deles a riqueza cultural da cidade que é reconhecida pelo seu carnaval e pela variedade de figuras e histórias fantásticas.

Orquestra empolgou o público com sua mistura de estilos musicais
Orquestra empolgou o público com sua mistura de estilos musicais

A banda começou a tocar para o pequeno e diversificado público presente no Opinião com meia hora de atraso – ou seriam dois meses? A data de alguns shows, não apenas de Porto Alegre, mudou para que os CDs comprados em pré-venda pelo site de crowdfunding Kickante pudessem chegar até seus compradores. Com pouco menos de 200 pessoas, que logo se aproximaram do palco e por ali ficaram, a Orquestra começou apresentando-se com a música “No caldo”, seguida por “Pode ir”, “Desafio” e “Amara Preta”, todas do álbum Bomfim. Foi aos poucos que a timidez deixou de lado os músicos e o público, que em sua grande parte pouco conhecia a banda, fazendo o chão ser invadido por uma mistura de pés e pernas vibrantes que durou até a noite acabar.

Os sons de percussão de Gilú Amaral, a bateria de Rapha B, o baixo de Hugo Gila, a guitarra de Juliano Holanda, os vocais de Tiné e Maciel Salú complementados com o quarteto de metais composto por Alex Santana na tuba, Babá no trombone, Jonatas Araújo no trompete e Henrique Albino no sax e na flauta, também tocaram músicas dos álbuns anteriores Pra ficar (2012) e o primeiro de estúdio homônimo à banda (2008). A variedade de instrumentos e a qualidade das músicas já fizeram a OCO ser indicada ao Grammy Latino, em 2010.

Maciel Salú cantou Três Marias, música composta em homenagem a suas filhas
Maciel Salú cantou Três Marias, música composta em homenagem a suas filhas

Mais do que contemplar o público com o clima de carnaval, que segundo a própria banda já pega fogo em Pernambuco, os músicos  nos presentearam com a linda “Três Marias”. A canção foi feita em homenagem às filhas de Maciel Salú, que a interpreta com emoção na sua voz cheia de sotaque, o que a torna ainda mais bonita. Outra homenagem da banda foi feita a Milton Nascimento, com uma versão de “Caxangá”, parte do álbum gratuito Mil Tom, produzido pelo site de jornalismo cultural Scream & Yell, em meados de 2015.

A partir daí a festa ficou ainda mais intensa e o clima de carnaval invadiu a pista outra vez com os frevos “Ciranda de Maluco” e “Música 13″. O gingado dos porto-alegrenses foi elogiado pela banda, além de terem nos considerado um dos melhores públicos da turnê até então. A noite teve muitos momentos incríveis, que fizeram eu me lembrar porque fiquei tão fascinada pela banda. Gilú Amaral fez um lindo solo de percussão para depois, acompanhado de Maciel, correr pelo palco com seu ganzá e, junto do restante da banda, apresentar ao público muitos outros instrumentos comuns à cultura pernambucana. Tiné também encantou, começando à capela a música “Durante o carnaval”, que diz mansamente Eu vou me embora nesse frevo que é de Pernambuco e fez todo mundo ficar quietinho olhando a banda diminuir o ritmo, que depois foi aumentado com o bis de “No caldo” para encerrar a noite.

Integrantes agitaram o Opinião
Integrantes agitaram o Opinião

E, assim, o público foi se dispersando. A banda ainda continuou por ali e atendeu alguns fãs que foram entrando no backstage. Logo em seguida, Maciel Salú saiu de lá e, em meio a alguns pedidos de autógrafo, perguntei a ele o que achou do público e como estava sendo a turnê. Ele mencionou como é complicado ser banda independente no país, ainda mais quando se tem sete músicos nessa contagem, o que problematiza ainda mais estar na estrada. Falou também sobre a receptividade do público e sobre observar como as pessoas interagem com suas músicas, principalmente, as novidades apresentadas do álbum Bomfim. Desejei a ele e a banda boa sorte.

Mais tarde, encontrei na rua alguns amigos e perguntei: “Gostaram do show?”. A resposta para a minha pergunta foi um “Muito!” com um sorriso gigante no rosto cansado de dançar frevo.

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