O Terno e sua simpatia eletrizante

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Os maquinários de O Terno subiram no palco do Opinião e fizeram a alegria dos fãs

Fotos: Raphael Carrozzo

Ouvir uma banda e ver o show dela são duas experiências completamente diferentes. Por mais óbvio que essa afirmação possa parecer, muitas pessoas discordam ou nem fazem questão de ir ver os músicos que gosta/curte pessoalmente. É ao vivo que podemos realmente se os músicos são bons, se eles mecânicos ou improvisam. Se possuem presença de palco ou se são estáticos, entediantes e óbvios. Isso vale tanto para uma banda amadora quanto para uma profissional. Quando o conjunto foge do script que é o CD, se esforça para realizar cada uma das suas apresentações singulares, isso demonstra o quanto ela amadureceu.

O Terno veio a Porto Alegre para lançar seu mais novo CD Melhor do que parece, e eu fui encarregado de não somente escrever, mas também fazer o registro fotográfico do show. Primeira vez que realizei as duas funções simultaneamente. O Opinião não estava tão lotado como das outras duas vezes que fui, (uma cobrindo o show do Lenine, e outra como espectador no show do Criolo) o que me surpreendeu, já que nas redes sociais, a banda possui um número considerável de fãs. Aos poucos eles foram chegando, se aglomerando perto do palco ou sentados nas mesas no primeiro andar por causa dos poucos ingressos vendidos, o segundo andar não estava aberto.

Porém, apesar do público modesto, isso pareceu não ter surtido nenhum efeito para o trio paulista que subiria no palco naquela noite. Vestidos de maquinários, Tim, Guilherme (baixo) e Gabriel (bateria) foram ovacionados e demonstravam estar confortáveis e acostumados com aquele ambiente. Logo fizeram uma piada sobre o péssimo retorno das caixas de som, o que já gerou algumas gargalhadas e serviu para diminuir a “distância” que existe entre a banda e o público. Essa talvez seja a principal virtude do trio: espontaneidade.

Sempre fazendo piadas entre eles, conversando com quem estava lá para vê-los, respondendo a elogios gritados pela plateia como “Você também é lindo” e “Sim, Fora Temer! Não foi primeiramente, mas é sempre bom lembrar, né?”. Isso colabora com que o público se cative e demonstra não somente a imagem que a banda quer passar, mas também amadurecimento.

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Tim, vocalista do O Terno

Com Tim no teclado, o trio começou o show tocando “Não espero mais” e “Nó”, do novo álbum. Sempre dialogando muito com o público, o vocalista anunciou que aquela era a apresentação de um novo trabalho e que, obviamente, eles iriam tocar mais músicas desse novo projeto. Dito e feito. Agora com Tim na guitarra, vieram “Culpa” primeiro single do novo CD, que já foi cantado em voz alta pelo Opinião , “Depois que a dor passar”, “Deixa fugir” e “Lua Cheia”. Porém, alguns clássicos não podiam ficar de fora, e vieram “Ai, ai, como eu me iludo”, “Eu Confesso” e “Cinza”, sendo que nesta última Tim realizou um solo maravilhoso, colaborando para que os fãs fossem levados ao êxtase.

O legal de cobrir um show é que você repara em todos detalhes. Porém, se você está apenas escrevendo, você se permite sentir mais, do que analisar categoricamente, olhando luz, som e essas coisas. Já realizando a parte fotográfica, você acaba por reparar nos detalhes, nas nuances que diferem uma apresentação da outra. Um olhar, um momento que determinada luz, solitária no guitarrista, te faz sentir a música; ou a forma como eles afinam os instrumentos ou os apetrechos usados para alcançar os sons ideais.

Ver o show do O Terno é reparar nesses detalhes. Com um trabalho muito mais maduro do que seus anteriores e, por que não, mais experimental, a banda, sem músicos de apoio, precisou encontrar formas de recriar a maioria dos sons que ouvimos no CD. Talvez seja por isso que eles se vistam de maquinistas, pois precisam conduzir, construir e improvisar, a partir de um único instrumento, os mais variados sons. Muito desses sons a gente nem percebe, pois são usados em momentos específicos ou que, junto com outros diversos, fazem com que os músicos alcancem o estilo, o tom ou o timbre desejado. É impressionante quantas vezes Tim e Guilherme pisam nas suas pedaleiras imensas, ou se agacham para ajustá-las. Não por acaso que Tim também use o teclado em alguns momentos, pois é instrumento que permite a você alcançar mais um som. Basta ver o clipe de “Culpa” e você conseguirá entender um pouco do que estou dizendo.

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A banda usou e abusou das pedaleiras durante a apresentação em Porto Alegre

Bom, depois de tocarem as músicas dos trabalhos anteriores, o trio voltou a tocar inéditas. ‘Volta” e “Minas Gerais” serviram para tranquilizar o público, mas que não significou que eles deixaram de cantar bem alto e gritar. “Vamos Assumir”, com seu riff psicodélico, levantou a galera e o bolero “O Orgulho e o Perdão” fez o pessoal dançar. Depois, Tim voltou para o teclado e a banda tocou “Bote ao Contrário”, pedido por alguém da platéia; “Direto”, uma faixa bônus feita especialmente para o show e que, de acordo com eles, é executada de forma diferente em cada apresentação; e, por fim, “Melhor do que parece”.

Tocando 11 de 12 músicas do CD novo, obviamente o bis teria que ter alguns clássicos, “Zé, o Assassino Compulsivo”, com sua letra divertida e seu ritmo dançante animou o público que cantou a todos pulmões, e “66/culpa”, com direito a coreografia feita por Tim, encerrou o bis. Ovacionados, o trio retornou, feliz pela ótima recepção que teve e tocou “Eu não preciso de ninguém”, encerrando de vez uma noite divertida e eletrizante.

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