Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na semana em que as universidades devem protestar contra os ataques do governo de Jair Bolsonaro à educação, editoras porto-alegrenses se uniram à UFRGS para realizar sua própria Feira do Livro, que ocorre a partir desta terça-feira (14), até o dia 18, no campus central da universidade. A promessa é de 50% de desconto mínimo em todos os títulos.

A intenção do Clube dos Editores do RS é que a feira entre para o calendário cultural da cidade, a exemplo do que já ocorre em universidades de outros estados, como a USP. Nesta edição, além do catálogo reconhecido de editoras gaúchas, o público também tem chance de adquirir títulos de editoras do eixo Rio-SP, que não são encontrados com facilidade.

A feira acontece em meio à crise que abala o mercado editorial no Brasil, que se agravou em 2018 com os pedidos de recuperação judicial da Bookpartners, principal distribuidora de livros do país, seguida da Livraria Cultura e da Saraiva.  Desde meados dos anos 1990, as editoras sempre trabalharam com o sistema de consignação, pagando antecipadamente pela produção dos livros e “emprestando” o produto às livrarias até receber o pagamento posteriormente às vendas dos livros. Com a crise das livrarias, as editoras sofreram calote.

Editor da Dublinense, Gustavo Faraon conta que “na prática, o que aconteceu com esses calotes é que as editoras colocaram esse investimento na frente. Na hora de ter o retorno, isso não aconteceu. Uma parcela importante do dinheiro que circulava nesse mercado simplesmente desapareceu. Então, acho mais do que natural que tenha dado um encolhimento, porque houve um impacto muito grande.”

Em abril, o faturamento do setor teve queda de 12% no número de exemplares vendidos em relação ao mesmo período em 2018, segundo levantamento da Nielsen. A pesquisa, encomendada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros, revelou que foram 400 mil livros a menos vendidos e menos R$ 15 milhões na receita. A Nielsen já havia divulgado os números do primeiro trimestre, que mostraram queda de R$ 46 milhões em relação ao ano anterior.

Para editores, a crise é do modelo de consignação (Foto Faru Santos)

“O que está acontecendo, me parece, não é uma crise do livro ou do interesse no livro. É uma crise do sistema produtivo, que acabou afetando todo mundo, é sobretudo uma crise de confiança”, avalia o editor. Faraon acredita que as editoras pequenas e médias foram as que mais perderam, na medida em que são o nicho em maior número nas duas redes de livrarias e não tem capital financeiro para passar pela crise sem efeitos desastrosos. O plano de recuperação da Cultura já foi aprovado, com a proposta de 70% de desconto na dívida e até 12 anos de prazo para pagamento às editoras credoras.

Como resultado, o próprio sistema de consignação foi posto em xeque, conta Faraon. “Grande parte dos editores está muito desconfiado com o processo da consignação e é uma desconfiança que acaba afetando toda a cadeia, não só as grandes livrarias. Nesse momento, o mercado está passando por uma transformação, tentando olhar caminhos, novas maneiras de trabalhar nesse mercado.”

Participam da feira as editoras Arquipélago, Avec Editora, Bazar do Tempo (RJ), Belas Letras, Cassol, Cirkula, Concórdia, Dublinense / Não Editora, Edelbra, Editora da UFRGS, Editora da Ulbra, Elefante (SP), Grupo A, Libretos, Lote 42 (SP), L&PM, Mediação, Nós (SP), Projeto, UBU (SP) e Zouk.

SERVIÇO
De 14 a 18 de maio de 2019 – no Campus Centro da UFRGS  (Av. Paulo Gama, s/n)
Horário: de terça a sexta-feira, das 11h às 20h e no sábado das 8h às 14h, durante o UFRGS Portas Abertas.

 

No domingo, autores independentes realizam sua própria Feira do Livro

Escritores, ilustradores e quadrinistas vão levar seus livros para a rua no próximo domingo, 19, em uma feira do livro independente. É uma oportunidade para autores que lançam seus livros de forma autônoma e não contam com o aparato do mercado editorial para alavancarem as vendas. Segundo o organizador, o escritor Gabriel Cianeto, a feira se diferencia na medida em que os próprios escritores serão os expositores, “sem a presença de best-sellers internacionais, por exemplo”. Para o público, a feira possibilitará o contato com a vasta produção de autorais locais e obras a preços acessíveis.

O evento ocorre ao ar livre, na rua João Telles, das 14h às 19h. Mais de 80 autores se inscreveram para o evento, que será custeado pelos próprios inscritos. Contações de histórias e intérprete de Libras-Português para os visitantes surdos fazem parte da atividade.

SERVIÇO
19 de maio de 2019 – na rua João Telles, junto à avenida Osvaldo Aranha
Horário: das 14h às 20h