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O Nonada – Jornalismo Travessia realiza uma série de entrevistas com os candidatos e candidatas à prefeitura de Porto Alegre. As perguntas têm como foco o setor cultural e os direitos humanos. Nesta entrevista, quem responde é a candidata Manuela D’Ávila (PC do B).

Nonada – Para a senhora, o que é cultura e qual o papel do Estado no fomento do setor?

Manuela D’Ávila – Cultura é importante cadeia econômica e social, da expressão artística e popular. Vamos ampliar os recursos públicos para 2%, retomar a agenda pública de eventos e a ocupação da cidade.

O fomento da cadeia produtiva do carnaval (Escolas de Samba, carnaval de rua) se transforma em um capital cultural e econômico da cidade e vamos fazer campanha de promoção do Carnaval para aumentar o turismo.

Nonada – Quem vai ser o secretário ou secretária da pasta caso seja eleita?

Manuela D’Ávila – Se o povo de Porto Alegre me escolher a primeira prefeita de Porto Alegre, certamente indicarei alguém com diálogo com o setor. Temos que resgatar os fóruns setoriais na nossa cidade. Mas ainda estamos em primeiro turno, não estou pensando em nomes. Estou dialogando com o conjunto da sociedade e apresentando nossas propostas. Em uma situação muito adversa de ataques e ressurgimento de fake news.

Nonada – Quais serão as prioridades da pasta na sua gestão? Que política deve adotar em relação aos equipamentos culturais do município?

Manuela D’Ávila – Promover a co-gestão com ampla participação nos espaços e equipamentos culturais de POA com a sociedade. Mas diferente dos contratos atuais, que foram sem consulta prévia e sem diálogo. Queremos reforçar a gestão pública com a comunidade e agentes culturais para ampliar o tempo de uso destes espaços, gerando novas oportunidades, mais eventos, oficinas e contato das pessoas com a cultura da cidade.

Nonada – O Fumproarte, de acordo com a Lei 7.328, deveria receber anualmente o mesmo valor destinado ao Funcultura. A senhora reativará os repasses ao fundo? E quanto a realizações de editais para os artistas?

Manuela D’Ávila – Há um desmonte nos mecanismos de financiamento da cultura e isto impacta não apenas no setor e na vida de milhares artistas, mas também na dinâmica econômica da cidade. Tenho compromisso em resgatar os repasses ao fundo e garantir que os recursos públicos para a cultura aumentem para chegar em 2%. Com realização de editais públicos, descentralizadamente,  ampliando democracia e participação.

Nonada – Quais políticas a senhora pretende adotar com relação aos direitos das mulheres e do público LGBT?

Manuela D’Ávila – Vamos ampliar os leitos materno-infantis, abrindo a maternidade no Hospital da Restinga. Para mulher vítima de violência vamos criar rede de apoio e acolhimento com a Casa das Mulheres. Também microcrédito e economia solidária para gerar emprego. Da mesma forma, para LGBTIQ+ vamos consolidar um centro para acolhimento de vítimas de LGBTIAfobia, integrado com campanhas contra a discriminação.

Nonada – A cultura negra sempre foi muito forte em Porto Alegre, embora com pouco incentivo, inclusive com a falta de reconhecimento oficial dos quilombos urbanos, por exemplo. Como a senhora vê a cultura afro-gaúcha em Porto Alegre e o que pretende fazer para fomentá-la?

Manuela D’Ávila – É caro para mim o tema do direito à memória, de uma história que considere o todo o povo que construiu e constrói esta cidade. São patrimônios de Porto Alegre, que foram invisibilizados por muitos anos. Estive recentemente com a Djamila Ribeiro na praça do Tambor para marcar meu compromisso com uma agenda para termos uma cidade livre do racismo e que promova a igualdade racial em Porto Alegre.

Nonada – Apesar de existirem 23 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, as políticas públicas de acessibilidade cultural ainda engatinham. A senhora pretende incluir o direito das pessoas com deficiência de terem acesso à arte na sua gestão? De que forma?

Manuela D’Ávila – Vamos garantir os direitos das pessoas com deficiência, com campanhas de conscientização contra o capacitismo e com ações transversais da Prefeitura para ampliar as políticas de acessibilidade e inclusão. Isto passa por promover capacitação em inclusão e acessibilidade de funcionários públicos, em especial na área da saúde e educação, reforçando atuação dos profissionais em suas áreas.

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