A escrita política de Helena do Sul, romancista negra nos anos 80 

Escritora gaúcha levava sua própria escrevivência para a página dos livros e também trabalhou pelo antirracismo no Ministério da Educação
Helena do Sul (Foto: Arquivo/Diário da Manhã Pelotas)

Quando pensa na mãe escrevendo, o cenário que vem à memória de Shaiane Vargas tem paisagem noturna. A casa silenciosa e Maria Helena Vargas da Silveira ainda acordada. Sobre a mesa, cadernos abertos, uma xícara de café e o rádio que ela adorava escutar. Durante o dia, ela tinha muitas atividades: escola, reuniões, conversas, encontros. “Ela tinha esse hábito. Escrevia à noite, como se fosse um diário. Acontecia muita coisa durante o dia e ela ia registrar nos caderninhos”, diz.

Aquela escrita, feita nos horários possíveis, acabaria se transformando em uma obra extensa: dez livros publicados entre 1987 e 2008. Romances, contos, crônicas e poemas que narram experiências e vivências negras. Maria Helena, também conhecida pela alcunha de Helena do Sul (que ela mesma criou), é uma expoente da literatura do Rio Grande do Sul, cuja obra e trajetória tem sido cada vez mais redescoberta por pesquisadores e pelo público. Teve uma trajetória muito marcante também na área da educação, atuando como professora. Também foi servidora do governo federal, em órgãos como a Fundação Palmares, ajudando na criação de políticas públicas.  

A pesquisadora Cristina Gamino conta que sentiu uma grande identificação com os textos de Helena quando os leu. Na época, em 2017, ela procurava um tema para o mestrado quando sua orientadora mencionou o nome da escritora. Bastou uma busca rápida para descobrir que havia ali uma autora com uma produção consistente e pouco estudada. “Eu sentei na frente do computador, digitei o nome e pensei: como assim eu nunca tinha ouvido falar dela?”, recorda. “Aí comecei a procurar os livros e a ler. E aquilo me atravessou muito”, diz.

A leitura produziu um reconhecimento imediato. Cristina diz que identificou nos textos experiências que também faziam parte da sua própria história. “O É Fogo! falou muito sobre a minha família”, afirma. “Tem ali questões de educação, de mobilidade social, de mulheres negras tentando abrir caminhos”, aponta. 

Foto: reprodução

Essa proximidade entre vida e literatura é um dos elementos que mais chamam atenção na obra de Maria Helena. O professor e pesquisador Dênis Moura de Quadros afirma que muitos textos podem ser lidos a partir da ideia de escrevivência, conceito formulado pela escritora Conceição Evaristo para designar uma escrita atravessada pela experiência de vida de pessoas negras. “Quando ela fala de si, está falando também de outras pessoas negras. Ao contar suas experiências, ela acaba narrando as experiências de muitas mulheres negras e de outros sujeitos negros gaúchos”, explica. A escritora Taiasmin Ohnmacht observa algo semelhante ao ler o romance de estreia da autora, É Fogo!, publicado em 1987. Para ela, a narrativa traz uma dimensão política que ultrapassa a experiência individual. “No texto da Maria Helena já aparece a insubmissão das mulheres negras”, diz. “São experiências que pertencem a uma mulher, mas também a um povo”, afirma. 

Mesmo com essa potência literária, o reconhecimento da autora ainda acontece de forma gradual. Parte disso se explica pela trajetória editorial. A maioria de seus livros foi publicada de maneira independente, muitas vezes com apoio de amigos e coletivos culturais. Mas há também uma dimensão histórica nesse processo. Maria Helena escrevia em um contexto em que a presença de autoras negras na literatura gaúcha era ainda mais rara e invisibilizada, especialmente no campo da prosa. “Uma romancista negra nos anos 1980 não era algo comum aqui no Rio Grande do Sul, até hoje não é”, afirma Taiasmin. Apesar disso, Maria Helena também alcançou reconhecimentos em vida, sendo patrona da Feira do livro em São Lourenço do Sul, em 1995, indicada ao Troféu Zumbi em 1997, e admitida na Academia Pelotense de Letras, em 2000. 

Entre as pessoas que conviveram com a escritora, a lembrança mais frequente é a de alguém que transitava entre muitos mundos ao mesmo tempo. Professora, pedagoga, militante cultural, escritora. Em casa, recebia muitos amigos; fora dela, participava de debates, projetos culturais e iniciativas ligadas à educação. Para Shaiane, era essa mistura que definia a mãe. “Ela era uma pessoa que ocupava a vida da gente”, diz. 

Caminhos existenciais 

Maria Helena Vargas da Silveira, ou Malena para os íntimos, nasceu na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1940, mas espalhou sua história por diferentes rotas e cidades. Oriunda de uma família negra, filha de uma costureira e de um motorista, era neta de um dos articulistas do jornal A Alvorada, o cronista e poeta Armando Vargas. No início dos anos 1960 começou o curso de Pedagogia na Universidade Católica de Pelotas. Ela veio para Porto Alegre em 1966, em uma transferência para a Ufrgs para finalizar a graduação. A pesquisadora Cristina Gamino pontua os questionamentos que a escritora fazia nessa época. “Quando ela chega nessa fase, ela se pergunta: ‘Onde estão os manos? Onde estão os alunos pretos do ensino superior?’. Isso aparece no livro É Fogo!”, diz. 

Depois de formada, começa a trabalhar em escolas de Porto Alegre. “No livro Tipuana, ela trata sobre a realidade escolar. E tem um conto sensacional que é o Detalhe de Gênero, que é sobre uma menina que queria ser Marcelo. Ela escreve que ela andava com boneco, cabelo preso, não gostava de usar vestido. E a escola não sabia lidar com isso. Então, ela antecipou vários assuntos também”, diz.

Helena do Sul (Foto: Arquivo/Diário da Manhã Pelotas)

A sua filha Shaiane Vargas lembra de sua mãe como professora e educadora. “O estudo sempre representou muito para ela. Eu às vezes a acompanhava na escola e eu adorava ir junto”, conta. Ela lembra uma passagem traumática da mãe. “Ela também teve muitos traumas na escola. Foi uma excelente aluna, uma vez prometeram que ela carregaria a bandeira da escola em um desfile…e depois trocaram por uma menina branca. Eu acho que, principalmente, por essas diversas vivências escolares ela desenvolveu esse olhar tão cuidadoso para a educação. Tem o livro dela Diga sim ao estudante negro, que acho um livro importantíssimo, ainda mais porque ele surge no contexto da implementação da Lei 10.639. Ela já discutia como professores poderiam levar a cultura negra para a sala de aula. Acho que ela foi muito precursora ao tratar disso no livro”, diz. Shaiane atualmente é professora do ensino superior e em 2023 foi requisitada ao Ministério da Cultura. 

Ela lembra do apartamento em que viveu com o irmão, Eder, e a mãe durante boa parte da vida em Porto Alegre. “Quando eu era pequena, morávamos no bairro Santa Maria, no Morro da Cruz. Depois nos mudamos para a Firmina, já na região do Partenon.  Mais tarde, a mãe comprou um apartamento na rua Honório Lemos, bem perto da igreja São Judas Tadeu. Foi ali que passamos grande parte da vida, um apartamento pequenininho, de um quarto para três pessoas”, conta. Sempre cheia de amigos, Helena costumava receber muita gente em casa para reuniões, com música e energia alta. “Mas lembro que ela tocava poesias no violão também. Cantava samba-canção e, às vezes, musicava poemas. Havia muito isso de reunir amigos em casa. Era cheia de amizades. Tinha amigos desde pessoas muito jovens até pessoas mais idosas. Circulava em todos os espaços”, diz.

Em 1999, Helena se mudou para Brasília. Ela realizou diversas atividades, passando tanto pela Fundação Palmares quanto pelo Ministério da Educação. Helena integrou a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), então uma estrutura recém-criada dentro do MEC e considerada estratégica naquele momento.  

De acordo com Shaiane, Helena gostava muito do trabalho. Embora já tivesse um olhar amplo sobre o Rio Grande do Sul, foi em Brasília que sua atuação ganhou novo fôlego. Nesse período, adotou o pseudônimo Helena do Sul, como forma de manter vínculos com suas origens. Ao mesmo tempo, o contato com a diversidade cultural brasileira ampliou seus horizontes profissionais e pessoais. “Ela viajou o Brasil inteiro. Daqui a pouco estava no Norte, no Nordeste, visitando comunidades kalungas, outras comunidades quilombolas”, diz. Em 2009, Helena faleceu em Brasília, onde estava radicada há mais de dez anos, vítima de aneurisma.

Mulher, negra, gaúcha

A trajetória de Maria Helena Vargas da Silveira também pode ser lida como a afirmação da mulher negra no Rio Grande do Sul, identidade muitas vezes invisibilizada no estado. O próprio pseudônimo Helena do Sul foi uma forma de reafirmar a origem e a presença negra no sul do país.

A atuação em diversos eventos era constante ((Foto: Arquivo/Diário da Manhã Pelotas))

Esse processo  atravessa sua literatura desde o primeiro livro, É Fogo!, publicado em 1987. Na obra, a personagem Maria percorre um caminho muito próximo ao da própria autora: nasceu em Pelotas, enfrenta episódios de racismo ainda na escola e mais tarde se torna professora. A trajetória passa pela formação no magistério, pela universidade e pela atuação docente em comunidades populares de Porto Alegre. 

Foi justamente esse entrelaçamento entre experiência pessoal e narrativa que levou a pesquisadora Cristina Gamino a se aproximar da obra da autora. A leitura produziu um efeito imediato. “Eu peguei os livros e comecei a ler dentro do ônibus e aquilo me atravessou muito. O É Fogo! falou muito sobre a minha família também”, diz. Foi então que decidiu pesquisar a trajetória de Helena no mestrado em Educação na Ulbra, universidade em que também atua, e continua agora no doutorado em Letras na Ufrgs.

Cristina diz que reconheceu nas histórias elementos que também faziam parte de sua própria trajetória. “Eu sou filha de pai e mãe professores do Estado. Tenho tias e tios que também eram professores. Quando eu lia, pensava: isso aqui eu conheço, isso aqui aconteceu com a minha família também”, afirma. Essa identificação aparece especialmente nas narrativas sobre educação, gênero e mobilidade social. Em um dos episódios citados pela pesquisadora, uma personagem compra um carro para levar outras mulheres à universidade. Para Cristina, o gesto ecoa experiências familiares. “Eu tive uma tia que comprou um carro com o dinheiro dela na década de 60. Ela nem sabia dirigir direito, mas comprou. É esse movimento de sair do lugar que aparece muito nos textos da Maria Helena”, diz.

A literatura da autora também nasce de uma relação direta com os territórios onde viveu e trabalhou. No livro Negrada, por exemplo, um dos contos chamado Paisagem Negróide descreve um lugar que remete ao Quilombo do Areal da Baronesa, em Porto Alegre. Cristina só percebeu isso ao ler o texto anos depois de já conhecer a comunidade e também ter atuado lá. “Quando comecei a ler, fui identificando as pessoas. A Fabiane que aparece no livro hoje é a liderança do quilombo. Eu conheço ela”, conta. Desse modo, Cristina diz sentir uma espécie de compromisso com a circulação da obra. “Eu sempre digo para a Shaiane, a filha dela da Helena, que me sinto muito comprometida em continuar apresentando os textos dela para outras pessoas”, reforça. 

A trajetória literária de Maria Helena também revela as dificuldades que enfrentou para publicar. Muitos de seus livros surgiram de maneira independente. Um episódio marcante aconteceu quando ela tentava lançar o livro Odara. Segundo Cristina, o evento seria realizado na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, mas acabou barrado. “A coordenadora disse que não poderia acontecer porque ela não tinha editora”, relata. Foi então que o jornalista e advogado Eloy Dias dos Ângelos, entusiasta da obra da autora e figura importante no movimento negro gaúcho, decidiu criar uma editora para viabilizar as publicações. Assim nasceu a Rainha Ginga, selo editorial que passaria a acompanhar boa parte da produção literária de Maria Helena. “A editora Rainha Ginga praticamente existiu para publicar os livros dela”, explica Cristina. 

Esse modo de circulação também ajuda a explicar por que, mesmo com uma obra extensa (dez livros publicados entre 1987 e 2008), Maria Helena permaneceu por muito tempo conhecida principalmente dentro de círculos ligados ao movimento negro e à educação. “Ela era uma mulher em movimento”, diz. “Estava no quilombo, dava aula, escrevia poesia, participava de debates, trabalhava em projetos de educação. A Maria Helena circulava por muitos lugares ao mesmo tempo”, define.  

A poeta Lilian Rocha é uma grande admiradora da obra de Helena do Sul. “Nas publicações, ela sempre valorizava uma tríade muito importante: a da família, a da terra natal e a do pertencimento étnico. Apesar de todo esse trabalho, a gente pode verificar que, por causa do racismo estrutural presente na nossa sociedade, ela foi esquecida por muitos anos. Porém, é importante ressaltar que, a partir do ingresso de pesquisadoras negras na academia, começaram a surgir diferentes formas de resgatar a sua história e, há alguns anos, também aconteceu a nova edição do seu primeiro livro”, conta.  Trata-se da reedição de É Fogo!, em 2020, pela Coleção Diálogos da Diáspora, da Editora Hucitec.

Livros em roda  

A obra de Maria Helena Vargas da Silveira vem sendo redescoberta por acadêmicos que apontam sua importância para a literatura do Rio Grande do Sul e do Brasil. Um dos percursos recentes é do pesquisador Dênis Moura de Quadros, que escreveu a tese de doutorado Enegrecendo as páginas da História da Literatura sul-rio-grandense: Negritude e ancestralidade na obra de Maria Helena Vargas da Silveira (1940 2009) em 2022 na pós-graduação em Letras, na Universidade Federal de Rio Grande. 

Na leitura crítica desenvolvida na tese, a obra de Helena do Sul é atravessada pelo conceito de escrevivência, formulado por Conceição Evaristo. Segundo o pesquisador, trata-se de uma chave interpretativa central. “Ao falar de si, do que passou, das suas experiências, ela também fala das experiências de outras mulheres negras e de outros sujeitos negros gaúchos”, explica. Não se trata, portanto, de uma escrita meramente autobiográfica, mas de uma experiência coletiva narrada a partir do vivido.

Helena do Sul também teve grande papel na educação (Foto: Arquivo/Diário da Manhã Pelotas)

Segundo Dênis, um dos eixos mais fortes identificados é a educação como instrumento de transformação social. Em As Filhas das Lavadeiras, a autora acompanha mulheres que rompem com um ciclo histórico de trabalho herdado de mães, avós e bisavós. “Havia a perspectiva de que essas filhas repetissem a profissão das mães”, afirma o pesquisador. A obra, porém, mostra o movimento contrário: mulheres que, por meio do estudo, tornam-se professoras, advogadas e profissionais com ensino superior. Para ele, esse tema é recorrente e se articula diretamente com a escrevivência e com o projeto ético da autora. A presença de mitos de matriz africana e de figuras ancestrais também estrutura a produção literária.  

Com base em valores do Batuque do Rio Grande do Sul, o pesquisador propõe uma classificação dos dez livros em dois movimentos. “No batuque, temos como valor civilizatório a circularidade ou espiralidade. Quando se dança para os orixás numa festa de batuque, dança-se sempre no anti-horário. Esse sentido representa o retorno à ancestralidade, como se fizéssemos o ponteiro do relógio girar para trás, honrando os ancestrais. Depois há um outro movimento, no sentido horário, que ocorre quando alguém morre. Dança-se em sentido horário para que esse ancestral siga seu caminho”, explica.  Cinco obras fariam um percurso “de fora para dentro”, ligado ao retorno ancestral; outras cinco operariam “de dentro para fora”, quando a autora se expõe mais diretamente. “Em É Fogo, por exemplo, temos uma personagem chamada Maria. Helena do Sul está falando dela mesma. Ela é Maria, nasceu em setembro, são histórias dela”.

Dênis pontua a importância do encontro com o multiartista Djalma do Alegrete. “A partir disso se percebe uma mudança na escrita dela. Ocorre um aprofundamento na pesquisa sobre cultura e religiosidade negra. Em Sol de Fevereiro, coletânea ilustrada por Djalma, surgem narrativas ficcionais fortemente ancoradas na realidade social de pessoas  negras. “Entre elas está a história de Catarina que trabalha em uma grande rede de supermercado, mulher negra que ascende profissionalmente e passa a sofrer hostilidade crescente. A morte da personagem é atribuída ao banzo”, diz.  

A continuidade como preservação

A cineasta, professora e escritora Edileuza Penha de Souza conta que conheceu Maria Helena em 2005, quando passou a trabalhar na SECAD, onde a autora atuava em Brasília. Foi nesse contexto que teve contato direto com a obra da escritora,  entre elas, As Filhas das Lavadeiras. “A leitura me atravessou de imediato. Eu sou filha de lavadeira”, afirma.

Naquele momento, ela ainda não pensava em fazer cinema, mas recorda que já percebia a potência audiovisual do livro. “Lembro-me de dizer a ela que aquele livro tinha a força e a densidade de um filme, porque havia ali imagens latentes, vozes pulsantes, memórias que pediam corpo e movimento.”

A morte de Maria Helena, em 2009, marcou profundamente a documentarista. Ela a descreve como “uma mulher luminosa”, cuja ausência deixou um vazio entre quem convivia com ela. “Dona Helena era intensidade e celebração: transformava o cotidiano em gesto de alegria e resistência”, diz. 

Uma mulher em movimento (Foto: Arquivo/Diário da Manhã Pelotas)

Esse movimento ganhou forma alguns anos depois. Em 2012, ao viajar para Cuba para estudar cinema, a realizadora levou poucos livros na bagagem. Entre eles, As Filhas das Lavadeiras. Foi durante o período de estudos que o roteiro começou a nascer, descrito por ela como um reencontro entre memória, afeto e linguagem cinematográfica. O processo se concretizou em 2019, quando o filme ficou pronto. Para a diretora, tratou-se de “devolver ao mundo a força poética e política” que havia encontrado nas páginas de Maria Helena.

Na adaptação, Edileuza diz que havia um elemento que não poderia ser perdido: a dimensão geracional da educação. “O que considerei indispensável preservar foi a compreensão de que a educação formal só se tornou possível porque houve mães que sonharam antes”, afirma. Edileuza aponta que enxerga o documentário como um gesto de preservação da memória de Maria Helena, mas não no sentido de monumento. “No sentido de continuidade”, define. Para ela, a autora permanece presente no filme não apenas como inspiração literária, mas como pensamento, ética e visão de mundo.

O movimento de preservação e circulação da obra de Maria Helena Vargas da Silveira não se limita ao cinema. Em outra frente, universidades do Rio Grande do Sul articulam iniciativas para ampliar o acesso ao pensamento da escritora. Em setembro de 2020, foi lançado o projeto de extensão “Maria Helena Vargas da Silveira: escritora das gentes negras do Sul”. A iniciativa foi uma parceria entre a UFRGS e a Unipampa com coordenação das professoras Fernanda Oliveira e Sátira Pereira Machado. A professora Sátira Pereira Machado, da Unipampa, explica que a origem do projeto está diretamente ligada a ações coletivas de leitura e memória. “Em preparação aos 50 anos do 20 de novembro celebrado em 2021, por exemplo, virtualmente reunimos estudantes para ler todas as obras da Helena do Sul. Foi assim que surgiu o site, em meio à pandemia do Covid”, afirma. Ela destaca que  o trabalho pela visibilidade de Maria Helena ganha novo fôlego esse ano. “Estamos em pleno período de celebração dos 55 anos do Dia da Consciência Negra, institucionalizado por decreto do Governo do Estado do RS, e estamos retomando ações para dar maior visibilidade à nossa esplêndida Maria Helena Vargas da Silveira, a Helena do Sul”, diz. O site continua online e serve como arquivo e memória da trajetória da escritora e pode ser acessado pelo site www.ufrgs.br/helenadosul.

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