Pouco lembradas, mulheres forrozeiras fazem história há décadas em Caruaru 

O título de “capital do forró” de Caruaru se deve a cantoras como Joana Angélica e Marlene do Forró que trabalharam ativamente na elaboração, produção e manutenção do gênero desde os anos 80
Em 1978, Joana Angélica lançava seu primeiro álbum intitulado Forró, dando início a uma trajetória que marca o gênero na região. Foto: Arquivo Pessoal/Nonada/OVA

Esta reportagem é resultado da parceria entre o Nonada e o Observatório da Vida Agreste (OVA), projeto de pesquisa e extensão do Núcleo de Design e Comunicação da UFPE

Caruaru (PE) — O São João de Caruaru, a “capital do forró”, é conhecido mundialmente. Isso se deve aos inúmeros artistas que a cidade gesta e que a cantam. A festa que começou como confraternização entre vizinhos, movimentou em 2026 R$ 805 milhões e hoje conta com polos temáticos espalhados por todo o município: o Pátio de Eventos Luiz Lua Gonzaga, o Polo Azulão, o Alto do Moura, o Polo do Pífano (Sebastião Biano), o Polo de Repente (Poeta Lídio Cavalcanti), o Polo Mestre Camarão, o Polo Rildo Hora e o Polo Juarez Santana — todos em homenagem a homens.

Seria isso um indicativo da ausência de mulheres na cena? Para responder a essa pergunta, o Nonada, em parceria com o Observatório da Vida Agreste (OVA), conversou com as cantoras Joana Angélica, Marlene do Forró e Vitória do Pife, todas caruaruenses. 

Enquanto a festa entra no calendário dos grandes eventos do Brasil e se torna um dos principais motores econômicos de Pernambuco, as mulheres que ajudaram a construir essa história parecem viver uma outra realidade. Em 1977, quando ainda era realizada na rua 3 de maio, no centro, a festa foi comandada pelas irmãs Lira – Eulina, Juraci, Laurinda, Adélia, Odília e Marinete, “as precursoras do São João de rua na capital do forró”, segundo matéria do jornal Vanguarda de Caruaru. Elas organizaram a estrutura da festa, os ornamentos e a grade dos artistas por 21 anos, angariando apoio dos vizinhos e comerciantes locais, sem apoio público. 

Esse modelo de festa organizado por elas — no mês de junho, perto do dia de São João, 24, com rua enfeitada, de graça, com a presença de artistas locais e de outros lugares cantando em um palco para o povo dançar, assistir quadrilhas, arranjar casamento e comer — foi o embrião para a festa que hoje dura 70 dias e recebe 4 milhões de pessoas (duas vezes a população de Curitiba). Marinete (87), última das irmãs Lira viva e que ainda mora na rua 3 de maio, conta o porquê elas decidiram fazer a festa: “A gente era festeira, gostava de namorar e pensamos ‘vamos fazer’”. As irmãs Lira eram 8, mas só 6 participaram da organização. Marinete explica: “As outras duas eram casadas”.

Depois de 20 anos de êxito, a festa da rua 3 de maio sofreu com a falta de apoio financeiro. “A prefeitura [de Caruaru] chamou a gente para uma reunião”, conta Marinete, “não fazia sentido querer competir com eles.” A festa, então, passou a ser realizada na rua Rui Barbosa e depois no Pátio de Eventos Luiz Lua Gonzaga, onde é realizada até hoje. 

Em paralelo a esse cenário, a cantora Joana Angélica (78) iniciava sua carreira solo gravando seu primeiro álbum intitulado Forró, lançado em 1978. Já Marlene do Forró (59), a geração seguinte de Joana, passava as tardes ouvindo a pioneira Marinês no rádio: a cantora foi o estopim que fez Marlene cantar. As cantoras da nova geração, como Vitória do Pife (26), nem poderiam imaginar que essas seriam as mulheres que abririam caminho para que elas pudessem cantar forró. A contribuição das irmãs Lira na produção da festa ressoa numa fala de Joana sobre o início da sua carreira na bandinha do Mestre Camarão, importante sanfoneiro da cidade. “No começo, não tinha mulher [cantando em bandas de forró]. Camarão me escondia, tudo porque ninguém queria mulher nas bandas, era só homem”. 

Ultima das irmãs Lira viva, Marinete conta com orgulho sobre o protagonismo e o pioneirismo das mulheres no São João de Caruaru. Foto: Lucas Bezerra/Nonada/OVA

Joana Angélica, que ainda se chamava Risoleide Alves, nome de batismo, cresceu cercada por música: o pai tocava violão e a mãe cantava. Aos 8 anos, cantou com Cauby Peixoto no antigo teatro do Círculo Operário, em Caruaru, onde hoje funciona um supermercado. Ela conta que estava passando em frente ao teatro, de pés descalços, quando ouviu Cauby chamar por uma criança que cantasse sua música. “Eu passei pelas pernas do segurança na portaria e fui bater no palco. Falei que sabia cantar a música dele e ele me chamou no palco.” Ela relembra que ele se ajoelhou na frente dela, como na letra de Nono Mandamento, música que ela cantou na ocasião. A coragem lhe rendeu um sapato Sete Vidas, um corte de tecido, um conto de réis e a possibilidade de um futuro nos palcos. 

Joana conta as histórias que estão nesta reportagem sentada em uma cadeira de rodas elétrica, na sala de entrada da sua casa, que funciona como um pequeno museu da sua vida, no bairro Kennedy, em Caruaru. Os vários quadros pendurados com fotos de momentos importantes da sua carreira e certificados de honrarias recebidas ao longo da vida, são um indicativo do passado vivido. Já o perfume refrescante que exala dela, o vestido colorido e decotado que ela usa, os brincos grandes nas orelhas, a leve maquiagem no rosto, as unhas pintadas, o cabelo recém lavado e finalizado, são um indicativo da Joana do presente, de 78 anos, que se adapta à ausência de parte da perna direita, perdida em um acidente há menos de um ano. 

“Mas, eu só disse que era cantora quando eu ganhei meu primeiro cachê, lá em Vertentes [município pernambucano], no circo. Eu tinha 14 anos”. Ela passou a acompanhar o irmão sanfoneiro, Zé Bicudo, e a se apresentar em caravanas, em cima de caminhões e em circos. Aos 19, cruza por coincidência – ou não – com o Mestre Camarão dentro de um ônibus com destino a Caruaru. A essa altura, a Bandinha do Camarão já acumulava discos e parcerias com Dominguinhos, Luiz Gonzaga e Hermeto Pascoal.

“Só tem polo para homem”

“Cantei 30 anos na Bandinha do Camarão e [com ele] viajei o Brasil inteiro”. Joana era a cantora da banda, que até então, era apenas instrumental. Camarão é um dos responsáveis por popularizar a sanfona no forró e por introduzir metais – trompete, saxofone – e guitarra. Instrumentos que hoje são comuns em bandas de forró. 

Risoleide Alves morreu, como ela mesma diz, no estúdio Esquema, na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, em 1978, para que Joana Angélica pudesse vir ao mundo. Quem fez o parto foi Luiz Gonzaga. Ela conta que alguém no estúdio chamou a cantora de Caruaru. Gonzaga perguntou o que ela cantava e, ao saber que era forró, estranhou: “Eu não acredito que uma cantora de Caruaru vai gravar forró com esse nome. Cadê ela?” Quando a falecida Risoleide se aproximou, ele a reconheceu: “Ah, eu já te conheço, você é ‘meia banda’.” Ela perguntou por quê, e ele explicou: “Porque na banda de Camarão você canta uma noite todinha.” Em seguida, fez uma sugestão: “Você gravando com esse nome de Risoleide, você não vai gravar forró, vai gravar bolero. Se você aceitar, a partir de hoje, seu nome pode ser Joana. Santa Joana é a protetora dos artistas, protetora do nordestino.” Joana aceitou na hora: “Risoleide não tá mais aqui, não!”

No ano seguinte, 1979, gravou o seu segundo disco, o ‘Forró Bom’, na mesma gravadora. Em 1980, gravou o terceiro e seguiu assim até gravar outros 16 álbuns solo. Ela passou a se dividir entre os shows solo e os da banda de Camarão, que insistia em sua permanência por “não encontrar outra cantora no mesmo nível”. Depois da repercussão positiva do segundo álbum, Joana tomou a decisão de sair de vez da banda de Camarão e de Caruaru. Ela se deu conta de que, apesar de ser conhecida popularmente como a rainha do forró, por ser uma das únicas cantoras de Caruaru, vivia na sombra de Camarão. “Você só tá dando nome pra Camarão. Você é jovem, você tem tudo pela frente”, relembra o conselho que ouviu de Abdias, esposo da cantora Marinês. “Aí, a mulher dele, Marinês, chegou pra mim e disse ‘sua voz tem peso em todo estilo de música, agora no forró é o peso”. A partir desse momento, ela começa a viajar pelo Brasil sozinha. 

Reconhecida como Patrimônio Vivo do município, Joana 16 álbuns solo lançados. Foto:Arquivo pessoal/Nonada/OVA

“Eu fui embora daqui, não fiquei. Fui pra São Paulo, fui pro Rio [de Janeiro], fui pro Paraná. Voltei pra João Pessoa, morei em Natal, fui pra Bahia, fiquei na cidade de São Sebastião do Passé, fazendo minha história.” Pelo caminho, conheceu inúmeras pessoas, se apresentou no Brilho da Lua em São Paulo, e dividiu o palco com grandes nomes da música brasileira – Roberta Miranda, Nelson Gonçalves e Agnaldo Timóteo. 

Após anos fora, Joana decidiu retornar a Caruaru, em busca do reconhecimento em sua terra natal que sempre lhe escapou. “Eu voltei porque eu não vim mais fazer história, eu voltei pra minha terra”. Em 2017, ela foi uma das homenageadas do São João de Caruaru, ano em que completava 50 anos de carreira. Em 2020, se tornou “Patrimônio Vivo” do município. Em março de 2026, recebeu a Medalha de Honra ao Mérito “Luiz Gonzaga” da Câmara Municipal de Caruaru, como reconhecimento formal de sua contribuição à cultura popular. 

Apesar dos títulos, a sensação de Joana é de que a cidade ainda não a valoriza. Cachês desproporcionais em relação aos pagos a cantores de outros estilos musicais apontam que a festa se tornou um grande negócio que privilegia artistas de fora, enquanto os locais são deixados de lado. “Só vou me sentir [valorizada] no dia que tiver o primeiro polo feminino, que não tem. Só tem polo de homem, e que esse polo [se chame] Joana Angélica. Aí eu vou me sentir realizada. E outra coisa, eu quero um polo eu em vida, pra inaugurar, participar e convidar minhas amigas cantoras pra inaugurar.” 

Vozes à margem

A sensação de desvalorização também é compartilhada por Marlene do Forró, que conversou conosco por telefone, entre os horários de visita à irmã internada no hospital e as demandas da própria vida. O seu tom de voz na ligação era de quem teve que resolver diversas questões ao longo do dia e que, naquele momento, às 19h12, tinha que parar para responder perguntas de um jornalista desconhecido sobre a sua infância. As histórias que Marlene se pôs a repetir, não são apenas dela, são três décadas da história de uma cidade inteira. 

Para Marlene, a cidade que ainda é seu palco e a consagrou como uma das vozes femininas do forró é a mesma que, nos últimos anos, a empurra para a margem. “Caruaru não dá valor a ninguém”, comenta ela enquanto relembra a agenda lotada de shows dos anos 90. Ela se refere a preferência por parte dos organizadores atuais do São João de Caruaru por cantores de outros estilos musicais — axé, sertanejo universitário, pagode e eletrônico — para se apresentar no palco principal do São João, pagos com cachês milionários. Enquanto os artistas locais precisam esperar meses para receber um valor que se aproxima do simbólico, quando comparado a um milhão e quinhentos mil reais que o cantor Wesley Safadão recebeu por se apresentar este ano. 

“Meu pai ligava o rádio quando eu era pequena. Eu escutava Marinês e dizia ‘que gogó essa mulher tem’” e como um pássaro que aprende as melodias da espécie ouvindo os adultos, Marlene aprendeu a cantar ouvindo Marinês no rádio, como ela mesma diz. Marinês, “o estopim da bomba”, impulsionou a jovem Marlene a cantar e a participar do programa de calouro da Rádio Difusora de Caruaru, na primeira metade dos anos 80. Cantando De Volta pro Aconchego, de Dominguinhos, ela garantiu o primeiro lugar e um novo rumo para sua vida. O sucesso se repetiu na Festa do Comércio, realizada na rua 15 de novembro, no centro de Caruaru, quando, novamente, venceu o concurso de calouros cantando a mesma música. Depois disso, foi impedida de participar de programas de calouro, pois, “já era cantora”. “Até hoje em dia”, conta ela, enquanto sorri “De Volta pro Aconchego é o hino do meu repertório queira ou não queira”. Vencer esses concursos tornou Marlene visada por diversas bandas de forró da cidade. 

Ela recebeu propostas de várias bandas e passou a se apresentar em quatro diferentes na mesma semana, apenas trocando de roupa entre um show e outro. Esse período foi crucial para ela desenvolver seu estilo próprio, utilizando instrumentos como o fuzileiro – um bumbo de percussão usado principalmente em fanfarras – e criando figurinos exclusivos para cada show. “O estilo [das roupas] eu mesmo que desenho, eu mesmo que boto os enfeites, mando a costureira botar. Já pra ficar uma coisa diferente”. Cores, diferentes tecidos combinados, lantejoulas, pedrarias, franjas, corset, botas e chapéus, são elementos obrigatórios nos figurinos dela. 

Joana Angélica. Foto: Lucas Bezerra/Nonada/OVA

Sua carreira deslanchou quando foi a cantora oficial da Banda Lilás, de Zé de Oliveira, importante músico da cidade, onde permaneceu por cerca de sete anos, e na Banda Régis. “Eu carregava a banda Régis nas minhas costas. Ele bebia muito, fumava muito. Agora, era um grande músico. Um sanfoneiro que até hoje eu não encontrei igual”, relembra Marlene. Nessas últimas, Marlene cantava de tudo, do forró ao brega, tendo em vista que era uma funcionária. No final dos anos 90, as primeiras bandas de forró universitário estavam explodindo, Mastruz Com Leite, por exemplo. Ela conta que o público pedia as músicas deles que foram, invariavelmente, incorporadas ao repertório. 

“[A gente fazia] muito show. Tinha espaço para essas bandas que não tinham nome”, recorda ela sobre o final dos anos 90. “A gente ganhava muito dinheiro, graças a Deus, e viajava muito. Hoje não. Hoje só faz show mesmo quem tem conhecimento, mesmo sem nome, sem sucesso”, continua ela. No início dos anos 2000, ela fundou a banda Vaqueiro do Asfalto, em homenagem ao pai, que era vaqueiro. Marlene se apresenta até hoje com essa banda. 

A experiência nesses grupos fixou o nome de Marlene como uma presença obrigatória nos palcos de Caruaru e região. O reconhecimento veio em 2007, quando recebeu o Troféu Ouro, uma honraria tradicionalmente concedida a políticos e empresários de Caruaru. Em 2019, foi uma das homenageadas do São João de Caruaru, título que recebeu com sentimentos conflitantes. “Foi o ano em que minha mãe faleceu.” Em 2024, recebeu o Troféu Onildo Almeida. Onildo é o compositor da música A Feira de Caruaru, eternizada na voz de Luiz Gonzaga. 

Apesar da carreira intensa, Marlene nunca viveu exclusivamente da música. Durante grande parte de sua vida, trabalhou como costureira e em escritórios durante o dia, indo para os palcos apenas à noite. A responsabilidade de ajudar a família, especialmente após a morte do pai e para cuidar da mãe, fez com que ela mantivesse essa dupla jornada por muitos anos. Com naturalidade, ela conta: “meus pais criaram a gente trabalhando”. Atualmente, dá aulas de música em sua casa e presta serviços de limpeza no Cemitério Dom Bosco, em Caruaru. 

Forrozeiras do agora

Marlene ganhou o aposto “do Forró” do colunista social Jota Lagos, “e pegou do jeito que não tem como tirar não, né?”, relembra. Ganhar um outro nome ou aposto parece ser uma tradição e requisito. É uma espécie de autorização. Foi assim com Joana, Marlene e também foi assim com a cantora Vitória do Pife. Mas no caso dela, o aposto foi autoimposto.

“Eu já fabricava pífanos, eu já dava aula e já tocava, mais ou menos bem, e aí eu mudei meu nome”, conta a jovem forrozeira. O pífano é uma pequena flauta transversal de som agudo, geralmente feito de bambu, taboca ou PVC, que chegou ao Brasil com a invasão portuguesa e foi incorporado à cultura popular, principalmente no Nordeste, ao longo dos séculos. O pífano é considerado por pesquisadores e músicos um ‘movimento ancestral do forró’, especialmente do forró pé de serra — produzido pela junção da sanfona, zabumba e triângulo. Em Caruaru, essa herança é particularmente forte. A centenária Banda de Pífanos de Caruaru e o mestre João do Pife, que ensinou Vitória, são exemplos disso. 

A nova geração de mulheres musicistas busca espaço e protagonismo na cidade. Foto: Fábio Jordão

Vitória conta que o gosto pela música começou logo cedo, mas sua relação com o pífano veio por acaso. “Eu pedi pro meu pai um violão de presente. Na época ele não tinha condições. Daí, ele me levou na oficina do senhor João do Pife e eu tive um hiperfoco.” O mestre a recebeu com alegria, escolheu  o instrumento para ela e, em pouco tempo, Vitória já visitava  o espaço frequentemente. “Comecei a fazer pífano de PVC em casa, pesquisando no YouTube e aí eu levava para ele [seu João]. Ele viu isso e disse ‘vou ensinar a fazer o pífano de taboca’”. 

Tanto sozinha, em show solo, em participações, quanto na Banda de Pífanos Caruaru Camaleão, montada por ela e amigos, composta por pífano, prato, fuzileiro e alfaia, às vezes, mais de uma. 

Além dos grandes mestres pifeiros e da jurema sagrada, onde é feita, Vitória conta: “Tive muita inspiração do trabalho do Metá Metá, Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Siba, Renata Rosa. É um pessoal que justamente bebeu da fonte da cultura popular e faz parte da cultura popular, mas que também inova no seu trabalho, traz sua identidade.” Ela tem um álbum lançado, o Sem Pergaminho, que é o resultado das referências e do jeito dela fazer música. Ela enxerga a tradição como algo vivo, que se reinventa a cada dia e que sofre a influência de quem a faz. “Não acho que o forró morreu e nem que está se descaracterizando. O que acontece é que hoje em dia a gente tem muito acesso à mídia e a gente vê muita coisa. E, às vezes, a gente vê mais de uma coisa do que de outra. Muitas vezes é o forró estilizado que está na mídia. Não estou dizendo que um seja melhor nem pior que o outro. O pífano a gente não vê na mídia, mas o pífano está aí” diz Vitória. 

O que também está presente na mídia e fora dela é o machismo. Segundo ela, ser mulher é um grito de resistência. “Muitas vezes você se sente um pouco só. Muitas vezes você percebe algumas coisas, alguns comportamentos, sejam para querer diminuir a sua presença, seja para diminuir o seu talento, o seu esforço.”

O trocadilho – vitória do pife – representa, para ela, uma aposta: “Espero que seja o pife vencendo”. Acrescentamos: e as mulheres também.

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