Falecido no dia 15 de abril de 2001, Joey - Jeffrey Ross Hyman - completaria 60 anos no próximo dia 19 de maio (Crédito: Divulgação)

Ele era um sujeito alto, magro, desengonçado e, digamos, desprovido de beleza. Além disso, sofria de problemas constantes de saúde – alguns bem complicados, como TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) e esquizofrenia. Filho de uma família judia de classe média e criado em um subúrbio novaiorquino, Jeffrey Ross Hyman tinha tudo para ser mais um entre os tantos cidadãos de seu país que jamais iriam alcançar o chamado “sonho americano”. No entanto, ele fez muito mais. Quando tudo indicava que o sujeito estava fadado a ser um verdadeiro loser, ele se tornou uma lenda do rock e assim manteve vivo não só o seu sonho, mas o de milhões de jovens no mundo inteiro. Esse era Joey Ramone.

Nesta sexta-feira, dia 15 de abril de 2011, completam-se exatos dez anos da morte do vocalista de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Joey foi vitimado por um câncer linfático que o consumia já há alguns anos – agravado também pelos anos de abuso de álcool e drogas. Deitado em uma cama de hospital, faleceu ouvindo “In a Little While”, do U2. Bono Vox, aliás, foi o último famoso a falar com o cara. Assim como tantos outros, o cantor irlandês nunca negou a importância que os Ramones tiveram em sua vida. 

O som urgente e cru, tocado por caras que jamais seriam aprovados em um desses testes de aptidão musical realizados por universidades, deixou sua marca justamente pela simplicidade. “Se nós podemos montar uma banda, todos podem”, eles diziam. E foi isso o que aconteceu. Em cada cidade onde os Ramones tocavam, no dia seguinte, mesmo sem muita experiência, adolescentes se juntavam em garagens para criar seu próprio som. Foi assim com U2, Pearl Jam, Bad Religion, Green Day, Red Hot Chili Peppers e mais uma quantidade de bandas tão grande que fica difícil enumerar. Mesmo os “rivais” The Clash e Sex Pistols só surgiram após um concerto dos Ramones em Londres.

Capa do clássico álbum de estreia dos Ramones, de 1976 (Crédito: Roberta Bayley)

A influência ramoniana transcende o aspecto musical. Jaquetas de couro, jeans rasgados e tênis cano baixo tipo All Star podem não ser exatamente a última moda, mas permanecem até hoje como algumas das vestimentas preferidas dos roqueiros.

 Se a importância dos Ramones foi – e ainda é – grande, muito disso se deve a Joey. Mesmo com todos os problemas que tinha, ele se tornou a cara da banda, não apenas por ser o vocalista, mas por mostrar que era possível, sim, vencer sem ser perfeito. Do alto dos seus mais de dois metros, dos cabelos sempre desgrenhados e de espessos óculos de grau – os quais ele raramente era visto sem – , Joey ganhou o público com algo que ninguém poderia lhe tirar: o carisma.

 Nem os insucessos na vida amorosa foram capazes de tirar seu bom humor. Para se ter uma ideia, o sujeito teve a namorada roubada pelo guitarrista Johnny, que depois se casaria com ela, e mesmo assim nunca pensou em deixar os Ramones. A mágoa continuou, e os conflitos internos se tornaram visíveis com o passar dos anos, mas Joey nunca permitiu que isso o impedisse de fazer o que mais amava no mundo: estar numa banda de rock and roll.

 Apesar de o quarteto do Queens nem sempre ser levado a sério, muito por não ter letras engajadas como as do Clash ou ácidas como as dos Pistols, Joey era um sujeito politizado. Seja pela importância do voto, o direito ao aborto ou a defesa dos animais (ele era vegetariano), não era difícil ver o vocalista discursando em eventos realizados por grupos militantes de esquerda. Esse era outro motivo que o levava a ter uma relação conflituosa com Johnny, republicano assumido. 

Os Ramones encerraram suas atividades em 1996, quase cinco anos antes de Joey morrer, aos 49 anos. Aliás, no próximo dia 19 de maio ele completaria 60 anos. Devido a sua saúde frágil, é bem provável que a banda não tivesse conseguido realizar um bem-sucedido retorno aos palcos, mas sempre ficaria uma ponta de esperança. Sem Joey – e, posteriormente, Dee Dee e Johnny –, nos resta lembrar o quanto esses caras eram bons, mesmo tocando apenas três acordes.

 Obras em andamento

 Joey gravou 14 álbuns de estúdio com os Ramones, mas sua voz está registrada em alguns discos ao vivo, coletâneas, trilhas sonoras e participações em trabalhos de outros artistas. Seu único álbum solo, Don’t Worry about me, foi lançado em 2002, cerca de um ano após sua morte. Um novo disco é prometido desde então, mas até agora nada. Os dez anos de falecimento seriam uma boa justificativa para lançar esse material, mas Mickey Leigh, o irmão do vocalista, não tem falado sobre o assunto já há algum tempo.

 Um lançamento relativamente recente, aliás, é o livro escrito pelo irmão de Joey, I Slept with Joey Ramone: A Family Memoir (Eu Dormi com Joey Ramone:Uma Memória Familiar). No entanto, não há previsão de publicação no Brasil. Uma pena, já que é na América Latina que se encontra um dos públicos mais fiéis dos Ramones.

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