Com o "Oramics", Daphe Oram transformava imagens em sons (Crédito: Arquivo Dahne Oram Gallery)

Para Daphne Oram (1925 – 2003), garrafas de leite, vassouras, chaves, fitas magnéticas e película de filme podiam perfeitamente ser matéria prima para a sua música. O seu senso de experimentação ia além de sua época, como mostra a exposição gratuita Oramics to Eletronica no Science Museum de Londres, em cartaz até o 1º de dezembro de 2012.

Apaixonada por eletrônica, Daphne inventou no final da década de 1950 um sofisticado aparelho chamado oramics. Tratava-se de um sintetizador capaz de transformar imagens em sons gerando diferentes tons musicais a partir de desenhos de ondas sonoras. Não é de se estranhar que esta senhora ficou conhecida como a “avó do tecno”.

A sua carreira começou em 1943, aos 18 anos, quando se tornou engenheira de som de programas da BBC. Não se limitando à sua função de garantir o som devidamente balanceado das atrações radiofônicas, ela passava horas além de seu expediente no estúdio aproveitando os gravadores e compondo peças de música eletrônica.

Daphne chegou a ficar à frente do BBC Radiophonic Workshop, produzindo trilhas e efeitos sonoros inovadores para os programas de rádio. Mas logo largou a função para desenvolver as suas próprias composições, não sob encomenda. Foi então que ela montou em sua casa, na cidade de Kent (Inglaterra), um estúdio e desenvolveu o oramics.

Soando futuristas, as melodias compostas neste aparelho eram apropriadas para filmes de terror, tanto que os efeitos sonoros do filme de terror britânico Os Inocentes, de Jack Clayton, foram compostos por Daphne. Uma réplica do oramics original pode ser vista na exposição citada, além de fotografias e filmes de Daphne em ação.

Para vizualizar o oramics, assista aqui ao vídeo produzido por Nick Street que retrata a aquisição do sintetizador de um colecionador por parte de Mick Grierson, diretor da Coleção Daphne Oram, em 2009. Mais informações no site daphneoram.org.

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