A jornalista Cristina Chacel esteve em Porto Alegre para divulgar o livro "Seu amigo esteve aqui" (Crédito: Custodio Coimbra)

Conversei com a jornalista carioca Cristina Chacel, autora do livro “Seu Amigo Esteve Aqui” (Ed. Zahar, 2012), e com Raul Ellwanger, músico e militante porto-alegrense, na última sexta-feira final de tarde no Café do Margs. Além de vir para o lançamento do livro, Cristina, no dia seguinte, estaria em uma mesa sobre a obra na Feira do Livro de Porto Alegre. Mais do que uma entrevista, senti que foi um verdadeiro depoimento, uma espécie de aprendizado com essa escritora apaixonada pelo que faz e pela história que ajudou a escrever.  

E essa história é do dirigente da organização clandestina de esquerda VAR-Palmares e desaparecido aos 31 anos, Beto, codinome Breno, nascido em Belo Horizonte.  Ele acordou para a política nos meados da década de 1960 e, pela força de sua liderança, atraía para a resistência inúmeros jovens – como a então estudante de dezesseis anos Dilma Rousseff, uma das personagens dessa trama. Em 15 de fevereiro de 1971, Beto foi preso no Rio de Janeiro e nunca mais visto. Dez anos depois, descobriu-se que ele foi assassinado em uma casa na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, que ficou conhecida como a Casa da Morte.

A partir do relato de vários depoimentos coletados por todo o País – incluindo o de Raul Ellwanger, presente nesta entrevista – foi possível formar uma narrativa coerente, em que se conta a história desse grande personagem da resistência brasileira obrigado a viver uma vida e clandestina, quase sem deixar rastros. Esse homem de muitos nomes, codinomes, mas de uma só ideologia era amado pelos amigos, como ficamos sabendo nesse livro. 

Não há nada que a memória não conserve.

Rafael Gloria – Quero que me conte um pouco sobre o processo do livro. Quanto tempo passou escrevendo e como foi a apuração?  

Cristina Chacel – Eu comecei a trabalhar nele em maio de 2009, foram feitas mais ou menos 60 entrevistas. Bom, na verdade, mais que do entrevistas, tratam-se de depoimentos, porque quando você abre o gravador para as pessoas contarem as suas histórias você não as interpela, você deixa elas contarem. Então, eu prefiro tratar como 60 depoimentos e não como 60 entrevistas. Eles foram coletados em vários lugares do Brasil, inclusive, fiz alguns aqui em Porto Alegre. O Raul Ellwanger, aqui presente, é um destes militantes gaúcho. Além de Porto Alegre, fui também ao Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Belém. Foram, então, 60 depoimentos em seis capitais brasileiras. Alguns foram tomados por telefones, mas quase todos pessoalmente. Foram depoimentos de parentes e majoritariamente militantes e companheiros que viveram e conheceram o personagem Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto.

Rafael Gloria – Foi difícil fazer a investigação com tantos documentos ainda sob censura?

Cristina Chacel – Sim, ainda há poucos documentos, apesar de que hoje já se tem mais do que quando eu comecei. Quando iniciamos o trabalho os principais documentos que averiguei eram IPMS (Inquéritos Policiais Militares) instaurados durante a ditadura, algumas peças jurídicas, habeas corpus, cartas da família procurando pelo Beto depois que ele desapareceu em 15 de fevereiro de 1971 e cartas do pai a autoridades brasileiras procurando por ele – e o governo sempre negando que ele tivesse sido preso. Também tínhamos um pedaço de um processo de quando ele foi preso pela primeira vez, alguns anos antes, em Belo Horizonte.

Tudo isso, entretanto, você junta e não conta a história, fica um monte de lacunas. E aí entra a importância desses depoimentos que ajudam a contar a história. Eles realmente têm um peso fundamental no livro. Gosto de pensar que, devido a isso, é um livro de história oral, que traz a polifonia de uma geração, de um determinado grupo de esquerda, que tem como pano de fundo a história do Brasil, de 1960 a 1985 e depois dá um salto para agora. Para se conhecer a história do Beto, precisávamos contar as histórias dos outros companheiros – e muitas ainda não haviam sido contadas. O interessante é que todas essas histórias sempre foram relatadas com muito afeto, porque quando a gente conta da experiência da gente, contamos com paixão. Então é uma verdade mais de circunstância do que de fatos.

Rafael Gloria – Como é trabalhar com história que contém personagens reais e tão importantes para o Brasil? Como a presidente Dilma Rousseaf… Há algum cuidado extra?

Cristina Chacel  – Eu fiz duas escolhas que eu custei a perceber, a primeira escolha foi: enquanto eu procurei neste personagem um herói, eu não o encontrei. Eu só começo a encontrar este personagem quando eu desisto de procurar o herói e eu admito que se trata de uma pessoa comum. E eu faço até um exercício, sabe, de procurar uma pessoa que poderia ser o meu irmão, o meu primo, alguém muito perto, eu precisava chegar perto dele. E eu nunca poderia chegar perto dele se eu o tratasse como um herói. E o mesmo tratamento eu dei a todos os militantes e a todos que me deram depoimento, incluindo, a presidente da República. Embora eu tenha pegado o depoimento dela numa circunstância palaciana (cercada de assessores, depois de passar por detectores de metal), ela vai entrando no livro conforme a história vai acontecendo, assim como todos. A outra escolha e que foi uma consequência é que o valor dessa história é mostrar que ela é sobre gente comum, poderia ser qualquer um de nós, e que, portanto, é uma história que pode se repetir. Logo, é uma história que precisa ser contada, investigada e devidamente reparada na sua totalidade. É uma tragédia que conta o período triste da história do Brasil, onde você tem uma geração barbarizada, é uma história dos derrotados. Uma geração que perdeu. E agora há várias coisas acontecendo nesse sentido

Rafael Gloria – É nessa parte que, no livro, você pula para a época atual…?

Cristina Chacel – Claro, porque uma história que não acaba tem que ter um presente. Essa história existe até hoje, que é esse grupo de pessoas que estão se movimentando para contá-la. É a instalação de uma comissão da verdade, do tamanho que ela pode ter. E aí eu trago um pouco da história para agora. Onde estão essas pessoas quarenta e poucos anos depois?  O que é que está acontecendo? Aquela jovem estudante mineira perdida entre tantos ali, que também foi presa, que também foi torturada, igualmente com as mesmas veias, as mesmas carnes, os mesmos ossos, a mesma matéria humana, aluna da mesma formação política, essa pessoa está ocupando a presidêncita. Todos daquela época se deslocaram para lugares diferentes, mas tem uma história em comum que não acabou. E que precisa ser contada. E essa é só uma, entre muitas, de que o Brasil ainda tem para contar.

Breno, em uma das poucas imagens conhecidas do sociólogo (Crédito: Arquivo)

Rafael Gloria – E por que tu escolheste essa para contar?

Cristina Chacel – Não fui eu que escolhi, eu fui escolhida. Essa história nasce de uma ação entre amigos, nasce de uma vontade de tributo.  Começou em janeiro de 2009 quando o Sérgio Campos, companheiro de militância do Beto, recebeu a reparação financeira do processo de anistia que, enfim, reconhece o martírio que ele sofreu no período militar. Pagam, então, uma reparação padrão de noventa mil reais que, descontados impostos e honorários de advogados, fica em torno de oitenta mil reais. Essa é a história mais linda e foi a primeira que me conquistou, eu fui capturada neste livro por essa primeira história: esse militante, que foi o último a ver o personagem vivo, pega esse dinheiro e pretende devolvê-lo para a sociedade. E ele resolve fazer isso de que forma? Sérgio procura um amigo com quem ele tem um vínculo de vida que é o antropólogo Alfredo Wagner, professor da Universidade Federal do Amazonas, e ele resolve consultá-lo para investir nos projetos sociais e de minoria, de quilombolas, indígenas, populações ribeirinhas. E então o professor responde, “está bom, mas por que você não separa uma parte para contar a história do nosso Breno?”. Então, o Sérgio Campos forma com mais duas pessoas um grupo, a jornalista Flávia Cavalcanti, também ex-militante do grupo Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), e o Sérgio Ferreira, primo-irmão do Beto que, desde o seu desaparecimento investigava o seu paradeiro, e nesse processo acaba se transformando em um militante dos direitos humanos no País.

Os três me procuram e me convidam para entrar nesse projeto. Eu entro como jornalista, pensando que vou contar uma história, fazer meia dúzia de entrevistas porque ele também era um projeto muito em aberto. Então, eles vão e mapeiam quem são os militantes e contam para isso, em cada uma das cidades que eu te falei, com militantes. Aqui no Rio Grande do Sul, a peça chave para a gente recuperar as histórias ocorridas e que atravessaram a vida do Carlos Alberto Soares de Freitas foi o Raul Ellwanger, presente aqui conosco, também ex-militante e que foi parceiro o tempo todo. Abrindo caminhos, agendando entrevistas. Ou seja, não bastava ser jornalista e ter vontade de escrever o livro, eu tive uma comissão de frente que esticou tapete vermelho para onde eu tinha que ir.

Rafael Gloria – Um grande grupo então…

Cristina Chacel – Sim, uma grande ciranda. E como é que você vai contar a história de uma pessoa que tanto se escondeu como norma de segurança, deixando pouquíssimos vestígios, sendo que viveu somente trinta anos. Quantos anos você tem?

Rafael Gloria – 24 anos.

Cristina Chacel  – Imagina. E ele viveu seus últimos cinco anos de vida em severa clandestinidade. Há pouquíssimas fotos. Apostamos em constituir o período em que ele viveu através da história de outras pessoas. É uma polifonia, são múltiplas vozes que estão incorporadas na figura do Breno.

(ela me pergunta se eu tenho um livro, respondo que não. Raul diz que eu vou ganhar então. Eles estão com uma sacola com vários exemplares. Ela retira um e deixa perto de suas mãos, assim como o café já quase todo tomado).

Rafael Gloria – Mas me diz, o Beto foi preso em 1971, como tu dissestes e somente uma década depois se descobriu que ele foi assassinado. Como se deu essa descoberta?

Cristina Chacel  – O Sérgio Ferreira, em viagem de férias em Londres, vai na anistia internacional – o Brasil ainda vivia sob o silêncio da ditadura – e pergunta sobre o primo. É entregue a ele um dossiê que havia acabado de ser completado com denúncias e informações vindas de uma América Latina totalmente sitiada. Ele, então, procura os nomes dos desaparecidos e encontra o nome do primo. O seu temor se torna algo real, porque enquanto você tem alguém desparecido, você procura a vida. Na lista estava escrito que Beto morreu na Casa da Morte em Petrópolis, e a denúncia era de Inês Etienne Romeu, uma militante também de Minas, que tinha sido amiga de infância do Beto – essas tramas que a vida constrói. Então o Sérgio se dá conta de que ele não tem mais uma vida para procurar, e sim um cadáver. Ele volta ao Brasil e tenta descobrir essa militante. Ela se encontra presa em uma penitenciária feminina, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e depois de um tempo ele consegue visitar a Inês na prisão. Inês então começa a contar tudo que ela sabe sobre a Casa da Morte.

(Raul pede para dar uma atravessadinha, o que nós assentimos enfáticos, desejando a sua participação).

Raul Ellwanger – A Casa da Morte foi criada para o desaparecimento, com o objetivo de não ter vestígios nem do sequestro. Como é o caso do Breno, ele sobe no ônibus com o Sérgio e quando o Sérgio desce, lá pelas 10h da manhã, ninguém mais vê um fio do seu cabelo. Já estava tudo preparado. Ele vai para essa casa, tem-se em conta que em torno de 40 desaparecidos passaram por lá, e todos depois eram levados para o “forno crematório de Campos”, a Usina Cambaiba, que era uma espécie de continuação da Casa. O desaparecimento incluía tortura, morte, esquartejamento e essa equipe que queimava os restos mortais. Uma única pessoa escapou com vida dessa casa, a Inês. Ela, a amiga de infância do Breno, daí o nome do livro.

Cartaz dos "terroristas" procurados pela ditadura, entre eles, o Beto (Crédito: Acervo Addi de Freitas Vanucci)

Cristina Chacel – Pelas notícias dela, a gente chega à conclusão de que o Breno foi o primeiro a entrar na Casa da Morte. Quando ele cai, o comando da organização já está praticamente todo preso, a organização já está asfixiada, trazendo novos, e poucos, militantes para ocupar os postos de comando. Isso significa que já não precisava mais a inteligência da repressão buscar tanta informação, eles não precisavam torturar mais. Havia pouca coisa que eles não sabiam, então, eles pegavam mesmo para matar, entendeu? Era para tirar do circuito.

Rafael Gloria – Vocês sabem quanto tempo ele chegou a ficar na casa?

Cristina Chacel – Não se sabe ao certo…Agora quanto ao título do livro, como o Raul ia contando, a Inês chega nessa Casa em maio de 1971 e o Breno já não está mais lá (ele desapareceu em fevereiro de 1971). Coincidentemente ambos são de Minas Gerais e eram amigos de faculdade, tinham tido um bar juntos. Tinham toda uma história. Quando ficou na Casa, chegou um sargento do exército que, também coincidentemente, era de Minas Gerais e conhecia o Breno e a Inês. E esse cara, na juventude, tinha sido jogador de basquete em Minas assim como o Beto. E quando trouxeram Beto para a Casa, os dois se reconheceram. Ele como vítima e o outro como algoz.

Quando é a vez de Inês, esse sargento a reconhece também e diz para ela: “o seu amigo esteve aqui”. E essa é a última pista. Não é a única, porque, mais tarde, um outro torturador  da Casa vai complementar essa informação, dizendo como o Beto foi executado. Ele foi morto com um tiro na nuca.

Rafael Gloria – E a Inês foi a única que conseguiu sair viva de lá…

Cristina Chacel – Sim, e só contaram isso para ela porque era dado que ela também não sairia viva dali. Só que as coisas foram mudando, como se tratava de um aparelho clandestino, financiado pelo Estado e por setores da sociedade civil como o empresariado, certamente começou a surgir divergências entre eles. E ela se aproveitou dessas divergências em que uns apostavam que ela poderia colaborar com as investigações e outros diziam que não. Então, ao mesmo tempo em que era dado que ela seria assassinada, também tinha um jogo de que ela poderia ser o que eles chamavam de “cachorro”, colaborar com a repressão.

 (Raul humildemente pede para dar mais um pitaco, ao mesmo tempo em que coloca mais água no meu copo, devido ao calor eu já havia tomado tudo…)

Raul Ellwanger – A funcionalidade dessa Casa dependia do segredo absoluto. E esse não era o caso da Inês. Aconteceu o seguinte, ela tinha uma forte ligação com o Lamarca, e eles estavam loucos pelo Lamarca. Ela é presa em São Paulo e diz que teria um encontro com o Lamarca em Bom Sucesso no Rio de Janeiro, no dia seguinte. No primeiro dia que ela é presa e os caras vão desesperados lá e o que ela faz? Ela se atira debaixo de um ônibus e com isso surge a notícia, revela-se que ela existe. Quebra-se aquele silêncio absoluto sobre. Então, os caras começaram a ficar na dúvida porque essa casa matava dirigente, banidos que voltassem e quem tivesse assuntos de crime de sangue. Militante comum não ia para a Casa da Morte, que era um campo de concentração para desaparecimentos sem vestígio. Isso que ela fez saiu no jornal e os populares viram no Rio, ela virou problema e passou a existir um pouco e isso ajudou para a sobrevivência dela.

RafaelHá muitas pessoas que viveram na época e simplesmente não falam sobre.

Cristina Chacel – É verdade,  alguns foram treinados para esquecer.  

Raul Ellwanger – Na clandestinidade era preciso esquecer, datas, nomes, etc..

Rafael GloriaAgora, livros como esse ajudam a esclarecer cada vez mais essa época nebulosa do Brasil. Engraçado que vejo mais jornalistas do que historiadores fazendo esse tipo de coisa.

Cristina Chacel – Eu estava pensando nisso outro dia. Houve um primeiro momento, com a promulgação da Lei da Anistia, que os militantes exilados começaram a voltar e que algumas histórias começaram a ser contadas como depoimentos autobiográficos, basicamente os próprios militantes contando as suas histórias. Dizem que o historiador precisa de distanciamento e que contar uma história com personagens vivos é, de fato, um empreendimento de alto risco. No geral, você precisa que esses personagens tenham passado dessa para uma melhor para você ter um distanciamento, então eu acho que nesse momento o papel do jornalista… Você é de uma faculdade de jornalismo?

Rafael GloriaSim.

Cristina Chacel – Acho que isso é uma coisa importante. Nesse momento o papel do jornalista também é contar uma história do tempo passado, com o olhar do tempo presente sem o rigor de perenizar a história, porque ela poderá mudar. Eu acho que, nesse momento, não por acaso você tem o arquivo do Sebastião Curió sendo publicado por um jornalista do Estadão, um livrão; não por acaso você tem o Mario Magalhães, com outro livro de fôlego, contando a história do Marighella; não por acaso acabou acontecendo para mim essa oportunidade de contar a história do Breno, outras virão, muitas outras precisam ser contadas.

Rafael Gloria – O que você acha de países como o Uruguai e a Argentina já terem condenado vários dos seus criminosos da ditadura, mas aqui no Brasil ainda não acontecer isso?

Cristina Chacel – Eu não tenho a menor dúvida depois de ter mergulhado nessa história e ter tido contato com pessoas dessa geração: Ninguém passa por uma história dessas e esquece, por mais que tenha sido treinado para esquecer. A gente vive uma porção de coisas na vida da gente em que a gente diz que virou a página, esta página aqui não se vira, esta é uma página que se escreve. Não dá para virar uma página em branco, é preciso escrevê-la para que ela possa ser virada. A minha percepção é que essas pessoas que militaram e que viveram juntas estão unidas, estão vinculadas umas a outras pelo resto da vida.

Quero dizer com tudo isso que não acho um acaso a Comissão Nacional da Verdade ter sido instalada no governo da Dilma Rousseff. É claro que existe um caminho que foi trilhado, passou pelo Fernando Henrique Cardoso, pelos oitos anos do governo Lula, mas não por acaso foi instalado no governo da Dilma. Agora, cada um está no seu lugar. Eu não tenho a menor dúvida da disposição da presidente para que a comissão cumpra a sua função só que ela tem um diálogo amplo, que precisa respeitar, ela trabalha num terreno possível. Nós da sociedade, entretanto, estamos em outro lugar. E o nosso lugar é dizer que se precisa punir, é o lugar da pressão, e é nesse lugar que eu me coloco quando eu escrevo esse livro. Não aceito que as oitivas da comissão da verdade sejam protegidas por qualquer sorte de sigilo, acho que a história deve ser contada, a história tem que ser publicada. Acho que são crimes hediondos, crimes que não são anistiados. Essa anistia é uma lei protegida por um acordo de ocasião, num momento de transição de uma ditadura militar para um governo civil. Este é o presente desta história toda. 

(A entrevista acaba, mas a sensação que algo mudou continua, nem que seja em mim. Cristina faz uma bela dedicatória no livro e me entrega. Raul deixa o contato,  me dá um cartão. Eles pagam a conta, antes de ir embora. Ainda há muito o que percorrer). 

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