Texto: Thays Cruz e Thaís Seganfredo

Ar.ti.vis.ta: o artista ou coletivo de artistas que faz da sua expressão um ato político. O significado não está nos dicionários, mas é só olhar para os lados para notar a arte em sua função social tomando as ruas da cidade (com a pixação, por exemplo), os palcos e também as páginas da web.

Se os tempos atuais são de resistência e luta por direitos (direito à igualdade, direito ao fim da violência, direito à democracia), o artivismo surge como um espelho. Aqui no Rio Grande do Sul, diversas iniciativas de coletivos feministas fazem da arte a voz de suas reivindicações e protestos.

Ponto de cultura feminista: corpo, arte e expressão 

Roda de conversa sobre feminismo negro (Foto: Thays Cruz/Nonada)
Roda de conversa sobre feminismo negro (Foto: Thays Cruz/Nonada)

Nosso corpo é político e por meio dele, nos empoderamos, nos juntamos como mulheres em nossas expressões. É nisso que acredita o Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão, primeiro ponto de cultura reconhecido pelo Minc com essa temática. Além de oficinas recorrentes de hip hop no bairro Restinga, o Ponto Feminista realizou neste mês o 1º Festival #ArtivismoFeminista, na Casa de Cultura Mario Quintana​. Durante três dias, conversas, oficinais, sarau e exibição de curtas juntaram diferentes mulheres para discutir feminismo.

O festival começou com uma aula aberta sobre Feminismos com Télia Negrão (Rede Feminista) e Maria Luisa Pereira de Oliveira (plataforma Dhesca Brasil), seguido pelo Fervo Feminista, que reuniu de expressões diversas de mulheres artistas. No mesmo dia, um sarau acessível explorou os diferentes tipos de corpos femininos. Com a presença do grupo Inclusivass, formado por mulheres com deficiência, teve início uma discussão sobre mulheres escritoras e representações de mulheres.

Sábado foi o dia de falar sobre feminismo negro, com a roda de conversa “Mulheres Negras e Cultura: ativando e fazendo nós”. O diálogo contou com a participação de Nina Fola, do Ponto de Cultura Espaço Escola Africanamente, e Denise Yashodã Freitas Dornelles, representante da comunidade quilombola Morada da Paz.

E mesmo que o sexo feminino seja o mais predominante nas universidades (3,4 milhões de matrículas contra 2,7 dos homens nos últimos 10 anos segundo o Portal do Mec), Tanto Nina, quanto a Yashodã, acham que esse espaço é pouco para as pessoas de etnia negra.” Os professores têm que fazer um esforço para falar sobre assuntos negros”, afirma Nina depois de, com orgulho, falar que entrou na universidade com 39 anos e que no Africanamente já foram 20 a ingressar na universidade pública. Isso tudo serve para que as pessoas negras tomem conta dos espaços de conhecimento e os transforme.

O Ponto de Cultura Feminista também promove oficinas de artes cênicas e realização audiovisual algumas vezes durante o ano. Mais informações.

Criativas – oficina de roteiro audiovisual 

Também em Porto Alegre, começa em abril uma oficina de roteiro audiovisual gratuita, voltada a meninas de 14 a 18 anos. “Sendo uma área crucial do desenvolvimento do conceito de um filme ou programa, é imprescindível que as mulheres estejam envolvidas nessa etapa, pois esta é a maneira em que podemos fazer obras mais representativas”, explicam as organizadoras.

O curso também pretende criar um espaço de troca de ideias de forma a incentivar o crescimento dos projetos individuais das participantes. Entre os conteúdos trabalhados, estão a criação de personagens, o conflito e os tipos de estrutura dos roteiros. O projeto é financiado pelo Fumproarte. As inscrições ainda estão abertas. Mais informações.

Marias Lavrandeiras 

Camiseta artesanal do coletivo (Foto: divulgação)
Camiseta artesanal do coletivo (Foto: divulgação)

A moda pode ser um ato político, e o Marias Lavrandeiras faz isso de forma linda. O coletivo de artesãs de Caxias do Sul dialoga com a Economia Popular e a Economia Feminista, criando bolsas e camisetas com diferentes temáticas: desde a clássica Frida Kahlo até as mulheres zapatistas e a obra “O Mapa Invertido da América do Sul” (1943), de Joaquín Torres Garcia. “Tecelagens postas num liquidificador de cores. As customizações são digeridas pelas tintas, botões, alinhavos, fios e tecidos surrados, transformando-se em novos e coloridos ciclos de vida” é como se auto-descreve o grupo. Mais informações.

 

 

 

Acervo independente das moças 

O acervo é uma iniciativa autônoma de criação coletiva de zines, com autoria exclusiva de mulheres. “Visamos fomentar a criação das moças, não só literária, mas também em todo e qualquer estilo criativo (fotografia, pintura, literatura, desenho, recortes, etc). Por um maior reconhecimento das mulheres dentro das artes. Por espaços efetivos!!”, afirma a organização.

O primeiro zine, já disponível no site, traz poesias e ilustrações representando temas como a libertação do corpo e a resistência ao patriarcado. A segunda edição vai retratar diversas violências sofridas pelas mulheres e está na etapa de recebimento de materiais. Mais informações.

Bordado empoderado 

Oficina de bordado empoderado (Foto: divulgação)
Oficina de bordado empoderado (Foto: divulgação)

Aulas livres, café e uma boa conversa com mulheres feministas. Essa é a proposta do Curso de Bordado Empoderado, que acontece na Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades. O curso, a preços acessíveis, tem diferentes módulos. “O empoderamento vem da conversa, ensino as técnicas e passamos 4 horas juntas”, conta a organizadora, Bruna Antunes. A próxima turma é no dia 9 de abril. Mais informações.

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