Em um show intenso no Opinião, quarteto norte-americano de HC convidou os fãs para agitar no palco

Fotos: Fernando Halal

 

Às vezes é de se questionar se o público porto-alegrense é mesmo “do rock”. Afinal, o número de pessoas que compareceu ao show do Biohazard, quinta-feira, 14 de março, no Opinião, foi meio acanhado. A impressão que dá é que se a banda for de médio porte (não me atirem pedras, fãs de hardcore, mas o grupo de Nova York não é lá um modelo de popularidade) e fizer dois shows em pequeno espaço de tempo, só os mais fanáticos irão prestigiar. Como o Biohazard esteve há pouco menos de três anos em Porto Alegre, pouca gente mostrou interesse em repetir a dose.

Mas há um fator ainda mais importante para minimizar o impacto desta nova vinda da banda norte-americana: a ausência de Evan Seinfeld, vocalista, baixista e um dos fundadores do Biohazard, que pulou fora do barco em 2011. Esse tipo de coisa dá uma certa desconfiança em quem é fã, e muitos certamente começam a “desacreditar” no seu objeto de culto quando ele começa a ficar desfalcado de suas peças principais. Mas como isso aqui não é nenhuma tese, vamos aos fatos: com ou sem Seinfeld, o Biohazard continua matando a pau no palco.

Antes disso, porém, tivemos a abertura da noite, com o veterano Grosseria. Um show correto e competente dos gaúchos, que aproveitaram para mostrar novas composições – “Desossar” e “Mordaça”, que estarão no próximo álbum da banda. Infelizmente, e por motivos desconhecidos, a apresentação dos caras começou quase duas horas antes do previsto.

Billy Graziadei se arriscou no português e interagiu bastante

Perto da meia-noite, o Biohazard subiu no palco, já quebrando tudo com três músicas do clássico Urban Discipline (1992): “Shades of Gray”, “Wrong Side of the Tracks” e a faixa-título. Fica claro que o guitarrista e também vocalista Billy Graziadei, que antes já dividia a função de líder junto com Seinfeld, assumiu o posto de frontman. Mas isso não impede o guitarrista Bobby Hambel e o batera Danny Schuler de interagirem com a plateia, da mesma forma que Scott Roberts, o “novato”na banda (ele já foi guitarrista, mas, com a saída de Seinfeld, voltou para tocar baixo).

O show é baseado em Urban Discipline e seu sucessor, State of the World Adress (1994). E não é para menos: foi nessa época que a banda viu seu auge. Naturalmente, o quarteto tocou algumas faixas do novo álbum, Reborn in Defiance, como “Vengeance is Mine” e a curiosa versão em português de “Come Alive”, um presente aos fiéis fãs brasileiros. Billy, aliás, se esforçou bastante para interagir em português. Às vezes, o resultado é engraçado e quase ininteligível – ainda mais com o som dos microfones, que não estava lá dos melhores -, mas o que vale é mesmo a intenção. Deu pra ver que o cara realmente ama tocar e se preocupa com os fãs.

Entre moshs e stage divings, muitos dos próprios integrantes da banda, o famoso cover de “We’re Only Gonna Die”, do Bad Religion, que não deixou pedra sobre pedra. A certa altura, Bobby se jogou do palco e caiu sobre uma menina que estava na “zona do gargarejo”. Ela saiu de lá meio tonta, amparada pelo namorado. Mas não foi nada grave: mais adiante, a banda mandou a clássica “Punishment” e liberou o palco pra quem quisesse subir. E quem estava lá em cima, agitando no meio da massa? A mesma menina que havia levado uma pancada do guitarrista cinco minutos antes. Isso é HC!

“Hold my Own” (adivinhe de que disco…) encerrou uma apresentação curta, mas muito intensa. Com este show, o Biohazard provou que continua firme e forte, mesmo com a saída de Seinfeld. Poucas vezes o título de um álbum (Reborn in Defiance) foi tão apropriado.

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