Que o mercado editorial gaúcho é muito vasto, disso ninguém duvida. O público da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre pôde ter contato com uma amostra dessa diversidade na tarde de hoje, na sala Leste do Santander Cultural. O mercado foi debatido por representantes de três editoras gaúchas com perfis bem diferentes. Segmentação é o segredo do sucesso das empresas que estavam lá.

Reunidos em uma mesa, às voltas com catálogos, livros e outras publicações, estavam o professor Jerônimo Braga, diretor da Edipucrs; Seu Diogo, representando a momentaneamente afônica Márcia Martins, proprietária da Martins Livreiro Editora; e Débora Bertol, administradora da Dulcinéia Livros. Apostando em nichos de mercado pouco explorados, as três editoras prezam pela qualidade de seus catálogos.

Para o professor Braga, a Editora Universitária cumpre um serviço à sociedade. A entidade, apoiada pelo conhecimento científico produzida nas salas da organização a que ela é ligada, deve oferecer ao público obras sobre assuntos que não são de forte apelo popular. “Temas como filosofia e sociologia, que a gente não vê nas bancas comerciais,têm um espaço garantido nas editoras universitárias”, explica Braga. Ele ainda destaca a importância das editoras universitárias na difusão das pesquisas produzidas nas faculdades e institutos técnicos.

A preservação do conhecimento e sua difusão também é preocupação da Martins Livreiro Editora, criada no final dos anos 1940 como uma loja de livros e transformada em editora em 1980, a Martins Livreiro aposta na cultura rio-grandense como diferencial de mercado. A história e a política gaúcha, além de reuniões de poesias e receitas culinárias ligadas ao RS fazem parte da gama de assuntos tratados nas obras da Martins Livreiro, que já editou mais de mil títulos diferentes. Autores não-gaúchos, mas identificados com a tradição do Estado, também têm seus livros publicados na Martins Livreiro. É o caso de Auguste de Saint-Hilaire, com Viagens ao Rio Grande do Sul, e de José Hernández, com suas poesias em Martín Fierro.

Com apenas um ano de existência, a Dulcinéia Livros já tem em seu catálogo próprio cinco publicações. Débora revela que mais cinco estão prontos para ir à gráfica e devem ser lançados em breve.  Voltados ao público infanto-juvenil, as obras primam não só pelo conteúdo de qualidade, mas projeto gráfico atraente aos pequenos leitores. Ideias inovadoras e a interação com o mundo virtual são bem-vindas, como a criação do blog do personagem principal do livro Beijo Mortal, de Luís Dill.

Ao ser perguntado sobre os critérios de qualidade das publicações, Jerônimo Braga lembrou que em “livro e filho a gente só vê defeito depois de pronto”, no que foi apoiado pelos demais palestrantes. Por mais que se revise o texto, a prova e a obra, sempre haverão detalhes a serem melhorados. Para o professor, um livro não fica pronto, ele é apenas impresso.

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