Howler além do hype

Fotos: Fernando Halal

Jordan Gatesmith e sua postura "não tô nem aí"

Muito se falou sobre a vinda da banda norte-americana Howler ao Brasil. Rolou um hype enorme, muito pelo fato de a conceituadíssima revista britânica New Musical Express ter considerado a banda a “aposta para 2012”. Tipo um novo Strokes, só que vindo ao país logo depois de recém ter lançado o primeiro disco.

Exagero? Muitos acham que não, mas, em uma análise totalmente pessoal, digo que sim. A Howler (ou “o”, se preferirem, que quando a banda ainda é nova essa denominação é sempre uma incógnita) é, sem dúvida, uma bela banda de rock’n’roll, daquele tipo mais primitivo e sujo, sem firulas, baseada no punk e no rock garageiro. Mas entre ser uma boa banda e algo vai transcender o cenário indie e virar algo popular entre um público maior vai muita diferença.

O show que os caras trouxeram ao Beco203, em Porto Alegre (também rolou um no Beco paulista), meio que assustou o povo por um motivo: mal passou de meia hora. Mas era compreensível; afinal, os caras têm apenas um disco, America Give Up, e ele é curtinho mesmo.

A performance no palco é o que mais lembra Strokes. Jordan Gatesmith, de óculos escuros e camisa dos Misfits, tem realmente uma postura fria, meio Julian Casablancas, que, por sua vez, se esgueira sobre o microfone como Joey Ramone…

Banda norte-americana fez um show curto no Beco

As músicas mais agitadas funcionam melhor, como “Beach Sluts” e seu clima surf e a dançante “Told You Once”. Mas é claro que foi a grudenta “Back of your Neck” que agitou o público, dividido basicamente em dois grupos: os que estavam ali porque queriam testemunhar a história, caso a banda seja mesmo o “novo Strokes”, e os que estavam “pela festa”. Sem covers para encher linguiça ou um bis, a Howler saiu do palco causando uma boa impressão, mesmo com o show-relâmpago. Ótimo, mas não genial. Sei que é muita empáfia da minha parte contrariar uma publicação da qualidade da NME. Mas, sinceramente, torço para a revista esteja certa mais uma vez.

Em tempo: o show se tornou possível pelo sistema de crowdfunding, algo que está viabilizando muitas apresentações no Brasil. Ótima iniciativa do Beco, que com certeza vai nos proporcionar mais shows desse nível. Ah, não ganhei jabá pra elogiar a produtora, realmente acredito nisso.

Também merece menção abertura da Stratopumas, que voltou às atividades mais afiada do que nunca. Um baita show. Longa (nova) vida à banda.

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