Foto: Iphan

Sebrae e Iphan mapeiam comércio de bens do patrimônio cultural no Brasil

O Sebrae apresentou esta semana os resultados de uma pesquisa que mapeia o papel do comércio de produtos relativos ao patrimônio cultural do Brasil. Elaborada em parceria com o Iphan, o estudo traz indicadores sobre a existência de CNPJ entre os detentores de bens culturais diversos, como o ofício das baianas do acarajé, a capoeira, o tambor de crioula, a literatura de cordel e outras expressões culturais de diferentes regiões do Brasil.

O estudo foi realizado por meio de formulário online e obteve cerca de 500 respostas, uma mostra subrepresentativa em relação à totalidade de pessoas envolvidas com o patrimônio cultural imaterial no Brasil – que atualmente conta com 52 bens registrados. A maior parte das respostas veio de baianas de acarajé (242) e mestres de capoeira (153). 

Segundo o diagnóstico, “bens culturais como o fandango caiçara apareceram pouco nas respostas, provavelmente porque seus detentores são, em sua maioria, mais idosos, pessoas com menos acesso à internet, o que justifica a baixa adesão de respondentes ao questionário”. Outros relativos a lugares e celebrações não responderam os questionários por não trabalharem com comercialização de bens e serviços.

Ainda assim, a pesquisa traz pistas que ajudam a pensar sobre a inserção dos detentores de bens culturais na economia da cultura, uma vez que as culturas populares estão ausentes dos principais estudos sobre economia criativa no Brasil. Segundo o estudo, mais da metade das baianas de acarajé (53%) e dos mestres de capoeira (61%) criaram um CNPJ. As demais expressões culturais representaram uma quantidade menor de respostas, por isso foram classificadas em conjunto.  Além disso, 75% dos entrevistados que não têm CNPJ gostariam de criar formalmente uma empresa.

Outro indicador foi relativo ao tipo de produto ou serviço comercializado. A venda de instrumentos musicais foi registrada por detentores do modo de fazer viola-de-cocho (no centro-oeste), e de expressões como frevo (PE), carimbó (PA) e tambor de crioula (MA). Já o artesanato aparece como produto nas respostas do modo de fazer bonecas Karajá (MT e TO), jongo (RJ), tambor de crioula (MA), boi-bumbá (AM) e maracatu (PE). Oficinas, alimentos e vestuário também foram apontadas pelos entrevistados.

A encomenda foi o principal meio de venda apontado pela pesquisa, seguido de ponto de venda físico, redes sociais e site próprio. Outro indício da pesquisa aponta que a venda de produtos e serviços não é suficiente para viabilizar financeiramente o trabalho dos detentores, uma vez que o acesso a crédito e a gestão financeira são as principais necessidades apontadas por eles. 

A partir desse diagnóstico, o Iphan e o Sebrae vão realizar oficinas voltadas à gestão de negócios em todos os estados do país. Ações específicas também estão previstas para alguns bens. “Para o Jongo do Sudeste, por exemplo, foi planejada a criação de dois circuitos de turismo culturais em comunidades rurais caxambuzeiras. Junto aos detentores do Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins, será feita a criação e estruturação de marca coletiva para o artesanato alusivo ao boi-bumbá da Amazônia. Na região Nordeste, deve ser criada a “vitrine cultural”, virtual e física, em que será disponibilizado acesso a bens culturais registrados, englobando todos os bens registrados na região, do Frevo (PE) ao Tambor de Crioula (MA)”, diz o Iphan. 

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Nortista vivendo no sul. Escreve preferencialmente sobre políticas culturais, culturas populares, memória e patrimônio.
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