Esculturas e painéis retrataram as composições da banda durante apresentação no Ocidente

Fotos: Júlia Schwarz

 

O Ocidente Acústico, projeto que leva shows nem tão acústicos assim ao Ocidente, teve uma inusitada edição na quinta-feira passada, dia 21 de junho. Além da música, os frequentadores do tradicional bar porto-alegrense tiveram a oportunidade de apreciar outra forma de arte.

 Painéis e esculturas ocupavam grande parte do segundo piso, mas não apenas de forma decorativa. Mais do que uma exposição, as obras dos artistas plásticos Eduardo Taborda e Joanna Burd se integraram à apresentação da banda Dingo Bells.

Segundo o vocalista e guitarrista (ou baixista, dependendo do momento) Diogo Brochmann, os dois são amigos da banda e sugeriram criar em cima das composições do trio gaúcho. “Eles achavam que nossa música tinha muito apelo visual, um clima meio art rock. ‘Art rock?’, perguntamos. ´É, David Byrne, David Bowie…’ Como esses caras realmente nos influenciaram, percebemos que eles tinham razão”, explica. Os músicos também aproveitaram a oportunidade para lançar suas camisetas, feitas pela designer italiana Erica Merlo e pela estilista Laura Kaufmann.

Hélio Flanders, do Vanguart, deu uma canja, antecipando parceria em estúdio

No palco, Brochmann e os outros dois “dingos” oficiais, Felipe Kautz (baixo, guitarras, vocais) e Rodrigo Fischmann (bateria, guitarras, vocais) mostraram o entrosamento de sempre, diante de um público que, pela cantoria na plateia, provavelmente já tinha visto a banda várias vezes. Evidentemente, as seis músicas do debut tiveram uma recepção mais calorosa, mas “Eu Posso Ver Metais”, “Bragueta” e o próximo single, “O Lobo do Mar”, também fizeram bonito.

Esta última, aliás, integrou o “momento folk” do show, que incluiu também covers de Fleet Foxes e Neil Young. Hélio Flanders estava na plateia e deu uma canja em “Heart of Gold” e na sua “Semáforo”. Mas o líder do Vanguart não estava ali por acaso. “Estamos gravando ‘Lobo do Mar’ com participação do Hélio”, revela Fischmann. De acordo com Brochmann, o álbum deve ser finalizado no início de 2013, “entre janeiro e fevereiro”, com um número maior de faixas em relação ao primeiro disco.

Frank Jorge, o "padrinho" da banda, também deu o ar da graça

A lenda Frank Jorge, considerado o “padrinho” da banda, apareceu para tocar “Se Você Pensa”, de Roberto Carlos, e “A Janta, a Colher e o Banho”, uma das músicas mais abstratas da Dingo Bells (confira o clipe) – e, por consequência, uma das que melhor se encaixaram na proposta de show-exposição. “Ciça, Cecília”, de Erasmo, reforçou o ecletismo do repertório, remetendo à fase mais soul/black music do Tremendão.

 O revezamento de instrumentos já não é mais a maior curiosidade no show dos caras, e sim as melodias vocais, cada vez mais elaboradas. E também a participação – na verdade, efetivação – dos membros honorários Julio Rizzo (trombone), Rodrigo Siervo (sax) e Jaime Freiberger (trompete). Os arranjos de Fabricio Gmabogi já estão tão incorporados nas apresentações da Dingo Bells que dificilmente alguém pode imaginar a banda como um trio novamente. No show de quinta, os caras ainda contaram com um guitarrista de apoio, Gustavo Chaise o que os transformou em um septeto.

Essa apresentação no Ocidente foi uma bela iniciativa, que certamente impressionou até mesmo quem já conhecia bem a banda. Mas, depois de um trio de metais e uma exposição de arte, fica difícil não pensar: qual surpresa nos espera no próximo show da Dingo Bells?

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