Foto: EBC/reprodução MinC

Emprego na economia criativa cresce 4%, mas setor editorial tem queda de 20% entre especializados

A Economia da Cultura e das Indústrias Criativas registrou 287 mil novos postos de trabalho em 2023, fechando o ano com 7,8 milhões de trabalhadores ativos. Os dados foram compilados pelo Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural, a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), do IBGE. É o maior número de postos de trabalho no setor desde o ano de 2012.

A pesquisa considera os segmentos de moda, atividades artesanais, indústria editorial, cinema, rádio e TV, música, desenvolvimento de software e jogos digitais, serviços de tecnologia da informação dedicados ao campo criativo, arquitetura, publicidade e serviços empresariais, design, artes cênicas, artes visuais, museus e patrimônio. 

O maior índice de crescimento de postos de trabalho foi registrado nos setores Design (29%), Música (24%), Desenvolvimento de Software e Jogos Digitais (18%) e Gastronomia (16%). Já o setor editorial apresentou uma queda acentuada de 20% especificamente no que se refere a trabalhadores especializados, ou seja, os profissionais criativos (escritores, editores, revisores, etc.) que trabalham no setor. Segundo o relatório, “este movimento, no âmbito da atividade editorial, parece confirmar a crise do setor, com uma migração dos trabalhadores para fora da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas para trabalharem em outros setores econômicos”. 

Outro dado significativo da pesquisa é o aumento da informalidade, que cresceu 5% no mercado da economia criativa, enquanto na economia brasileira como um todo o índice foi de 3%. No setor criativo, os trabalhadores informais representam atualmente 37% dos postos de trabalho, ou seja, 2,9 milhões de trabalhadores. 

Dimensões de cor/raça, gênero e território

Com relação à faixa salarial, os trabalhadores negros do setor seguem sendo os que recebem remuneração mais baixa. No quarto trimestre de 2023, o salário médio de profissionais negros era de R$ 2,8 mil, de trabalhadoras pardos, R$ 3 mil, o que representa 45% menos que o de brancos (R$ 5,3 mil).  As mulheres também seguem recebendo 42% menos em relação aos homens. No geral, mulheres no setor criativo ganham R$ 3,2 mil, enquanto homens têm salário médio de R$5,6 mil. 

O painel do Observatório destaca também a diferença de salário entre mulheres negras e homens brancos: “as mulheres pretas (R$2,2 mil) continuam enfrentando uma disparidade significativa, com uma média de rendimento mensal quase 67% inferior à registrada entre os homens brancos (R$6,9 mil)”.

A pesquisa revela que alguns dos setores que apresentaram maior crescimento são também aqueles que apresentam alta concentração de pessoas brancas na equipe: Publicidade e Serviços Empresariais (65% de trabalhadores brancos), Design (63%), Arquitetura (67%) e Tecnologia da Informação (70%). Os profissionais negros têm participação de 50% nos setores da cultura (música, literatura, artes cênicas, artes visuais etc) e de apenas 34% na tecnologia. 

Quando considerados os estados brasileiros, o emprego no setor teve maior alta em Sergipe (+28%), Roraima (+27%), Alagoas (+25%) e Goiás (+18%). Já a queda o número de expostos de trabalho foi registrada no Rio Grande do Norte (-18%), Piauí (-14%), Mato Grosso do Sul (-13%), Pernambuco (-7%), Tocantins (-7%), Ceará (-3%), Rondônia (-3%), Goiás (-2%) e Mato Grosso (-2%).

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Nortista vivendo no sul. Escreve preferencialmente sobre políticas culturais, culturas populares, memória e patrimônio.
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