Na manhã desta sexta-feira, dia 17 de maio, ocorreu o lançamento da 9ª Bienal do Mercosul no Theatro São Pedro (Porto Alegre). Na ocasião foi divulgada a lista de artistas participantes da exposição, e apresentada a agenda oficial do programa Redes de Formação, ligado ao projeto pedagógico do evento. Sob o título “Se o clima favorável”, a edição deste ano explora as relações entre a arte e a ciência, a natureza e a cultura, a invenção e o imprevisível. A fala da curadora geral, a mexicana Sofía Hernández Chong Cuy, revelou alguns contornos que a proposta curatorial tomará a partir deste momento.

A curadora geral, Sofía Hernández Chong Cuy, comentou as linhas de organização da bienal deste ano (Crédito: Bienal do Mercosul/Divulgação)
A curadora geral, Sofía Hernández Chong Cuy, comentou as linhas de organização da bienal deste ano (Crédito: Bienal do Mercosul/Divulgação)

Ao frisar que a comunicação é aspecto fundamental do projeto, Sofía destacou que a ideia é explorar as diferentes formas e possibilidades de comunicar. A curadora motivou, por exemplo, um momento de telepatia com o artista argentino Eduardo Navarro, que mandou uma mensagem desde sua casa em Buenos Aires, via pensamento, ao público de Porto Alegre. Os artistas foram convidados a participar da bienal via telegrama, e o ponto de partida da apresentação da equipe curatorial, ocorrida no ano passado, deu-se por sinais de fumaça. As soluções comunicativas, antigas, poéticas, inovadoras, são tratadas assim em sua diversidade.

A bienal está organizada em torno de três componentes. Um deles é a exposição, intitulada “Portais, previsões e arquipélagos”, a ser alojada na Usina do Gasômetro, no Museu de Artes do Rio Grande do Sul, no Santander Cultural e no Memorial do Rio Grande do Sul. Os perfis dos artistas participantes são bem variados, inclusive em termos geracionais – o mais novo tem 24 anos e o mais velho, 88. O que os une, segundo a curadora, é o empenho em investigações poéticas acerca de fenômenos naturais, a exploração de materiais diversos nas obras, e a atitude inventiva perante os problemas do mundo.

Outro componente diz respeito às chamadas “Expedições na ilha”: serão realizadas conversas com artistas, intelectuais, cientistas e curiosos na Ilha do Presídio, também chamada de Ilha das Pedras Brancas. Lembrando que certas manifestações só se desenvolvem “se o clima for favorável” – o clima político ou cultural, no caso –, Sofía comentou que serão propostas ali, por exemplo, reflexões sobre ideias que, a seu tempo e em certos pontos geográficos, foram marginalizadas. A ilha que abrigará as discussões torna-se assim elemento significativo, principalmente se levarmos em conta a sua história abrigando presos políticos, restringidos da liberdade por suas ideias, na época da ditadura militar brasileira.

O jornalista e escritor Eduardo Bueno discorreu sobre a ilha e suas possíveis leituras em relação à cidade e aos sujeitos, metaforicamente e fisicamente, logo após a fala da curadora.

Por fim, as “Redes de Formação”, ou o terceiro componente, envolvem atividades voltadas a mediadores, professores, artistas e público apaixonado por arte e ciência. A curadora de base, Mônica Hoff, falou sobre as linhas que guiarão essas atividades. Elas começaram hoje mesmo, com a palestra do cientista e filósofo indiano Sundar Sarukkai, proferida ao final do encontro, e se estenderão ao longo dos próximos meses. O palestrante abordou a “Ciência e a ética da curiosidade”, resgatando as diversas nuances que o termo “curiosidade” ganhou – principalmente na ciência mas também na arte –, ao longo dos séculos, e reforçando a visão de responsabilidade sobre o conhecimento e seus usos.

Foi ainda lançado o livro “A Nuvem”, com reflexões que giram em torno das temáticas centrais da edição deste ano. Estão reunidos textos de diferentes autores, de Thomas Kuhn a Julio Verne, de Vilém Flusser ao próprio Sundar Sarukkai.

Autoridades políticas marcaram presença no lançamento, tais como o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, a senadora Ana Amélia Lemos, o secretário da Cultura estadual,  Luiz Antonio de Assis Brasil, e a ministra da Cultura Marta Suplicy, que falou brevemente ao auditório quase lotado. Ela ressaltou a importância da bienal na aproximação cultural entre os países da América Latina e em especial do Mercosul, e destacou a relevância do tema escolhido para a edição deste ano. Aproveitou também para mencionar políticas da atual gestão da cultura em nível federal, como o “vale cultura”.

A lista completa de artistas convidados pode ser acessada na página da 9ª Bienal do Mercosul, assim como a programação de atividades.

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