Esta reportagem é resultado da parceria entre o Nonada e o Observatório da Vida Agreste (OVA), projeto de pesquisa e extensão do Núcleo de Design e Comunicação da UFPE
Águas Belas (PE) – Quando se fala em festas juninas, é provável que você lembre dos palhoções, bandeirinhas, fogueiras, quadrilha, forró e principalmente do Nordeste, onde essas celebrações são mais populares. Agora, já imaginou isso tudo dentro de uma aldeia indígena? Em Águas Belas, município do interior de Pernambuco, a pergunta não causa estranhamento. A comunidade Fulni-ô, residente na Aldeia Grande, tem nos festivos juninos uma marca registrada do seu calendário. Para eles, o momento é “cultural, sagrado e emocionante”, como conta o pedagogo e produtor audiovisual Fulni-ô Marcelo Ramon.
As festas contam com muito forró e arrasta-pé, além do tradicional samba de coco, expressão que tem forte presença nas celebrações do grupo Fulni-ô durante o ano e é organizada e guiada por mestre Matinho, principal pessoa a conduzir e perpetuar a cultura dessa tradição na aldeia. É na roda de samba de coco das apresentações juninas que aparece um diferencial do São João na aldeia do povo em relação aos demais praticados no estado: algumas canções são em Yaathe. Essa é a língua materna dos Fulni-ô, considerada o único idioma indígena do Nordeste que se manteve viva, de acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Geralmente, essas práticas culturais são realizadas na praça da aldeia, onde há uma capela da igreja católica. Esse espaço acaba sendo mais um símbolo da convivência de diversas culturas em um mesmo lugar, apesar de ter em sua raiz uma aproximação carregada de violência, como sabemos pela própria história do Brasil.
As celebrações juninas vão além do entretenimento. É também um momento do ano que possibilita o fortalecimento de vínculos, o estímulo da união e do cuidado coletivo, e, principalmente, a afirmação da sua identidade. A música, quando associada a sua língua materna, carregada de histórias vividas por eles mesmos, se torna mais que uma trilha sonora que embala o momento: é um registro de memória para aquele povo e um reforço das suas histórias e tradições.
O povo indígena, cuja população é de mais de 7 mil pessoas, de acordo com dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), tem a comemoração do São João como parte da sua vida. Quem contou isso foi o compositor, cantor, e agente de endemias Aguinaldo Correia de Melo, mais conhecido por Guina. Figura marcante nos festejos juninos, o artista produz canções inspiradas nas vivências da aldeia para animar as festas. Em ritmo de forró, Guina se apresenta acompanhado apenas por um teclado, suficiente para animar a multidão.
Para ele, os Fulni-ô carregam o Nordeste em sua essência: “o Nordeste tá dentro da gente. De uma forma ou de outra, se é indígena, mas é nordestino também”. O cantor é um dos animadores das festas do período junino na aldeia e explica: “o indígena, ele tem o seguinte: ele gosta de viver. Eu entendo, respondo por mim essa parte, ele gosta de viver intensamente”. Isso pode explicar por que as festas começam às 23h em um dia e só terminam próximo às 8h do outro dia. É assim no dia 23, vésperas de São João, e no dia 28, vésperas de São Pedro, quando acontecem as celebrações juninas.
No dia seguinte das festas, também é comum que aconteçam as “ressacas” organizadas e divulgadas de última hora no “boca a boca”, geralmente ao meio dia. “Festa de rua é assim: bateu a lata, o pessoal chega. O pessoal já fica atento. E é todo mundo bem-vindo. É aberta para o público, só pra fazer a festa, brincar e celebrar”, diz Ramon.

Os animadores das festividades juninas precisam cair no gosto do pessoal da aldeia para que possam ter presença marcada nas próximas, e o requisito principal para isso é conseguir manter todo o público animado durante a festa inteira. “Não é qualquer banda que nós colocamos aqui, é a banda que nós gostamos, que já tem o ritmo da aldeia”, explica Ramon. Segundo ele, o ritmo mais comum é o forró puxado ou pegado, em geral de bandas da própria aldeia. “São João mesmo é lama, forró pegado e animado”, lembra.
Com o passar do tempo, a festa deixou de ser um lugar para unicamente celebrar e passou também a ser um momento de reencontro. Ramon conta que muitas pessoas de outras partes do Brasil têm ido à Aldeia Grande conhecer a tradição. “É realmente uma forma de celebrar, de encontrar os amigos. Eu tenho muitos amigos que já estudaram na cidade [Águas Belas (PE)], né? A nossa casa é aberta pro povo todinho da cidade, como o do Brasil.”
Festejar com as próprias canções
Na língua Yathee, K’fel’nese significa brincar, comemorar e se divertir. A palavra demarca que o celebrar é central em sua cultura. Ao longo do ano, há um período de três meses reservado para que a comunidade pratique seus rituais ancestrais em localidades afastadas do meio urbano e restritas somente aos próprios integrantes. Após esse período, reuniões religiosas continuam a acontecer, mas não somente nesses espaços. Mas uma coisa é certa: são reservados dias livres no calendário para as festas de junho, também conhecidas por eles como a “festas do branco”.
Ramon, em entrevista ao Nonada, explica: “qualquer festa de show, de música, tudo, nós fala festa do branco, brincadeira do branco”. A música “Calendário Fulni-ô” do cantor Guina traz um trecho que resume como é o ano festivo deles:
“Após o ritual /chega o Natal e o Carnaval/ Festa na aldeia /a gente se aperreia / para brincar o São João”.
No início do ano, geralmente em fevereiro, acontece a festa religiosa de Yasaklane, que é nomeada por Nossa Senhora da Conceição na igreja Católica, padroeira de Águas Belas (PE). Durante uma semana, as rezas são diárias. Cada noite é responsável por uma pessoa, nomeada por “noiteiro”, que prepara café da manhã, almoço e janta em suas casas para amigos e familiares. Também há apresentações de samba de coco no decorrer da programação e a celebração é finalizada com uma festa no fim de semana. Outra comemoração dos Fulni-ô é a festa do Dia do Indígena, comemorada no dia 19 de abril, onde são realizadas apresentações de danças e uma programação ao longo do dia.
Durante o mês de junho, nas proximidades do dia de São João e São Pedro, quadrilhas tomam conta das ruas da aldeia. A mais famosa delas é a que acontece na rua do Alecrim, a “Quadrilha Chapéu de Palha do Bigode”, um festejo que atrai cerca de 2 mil pessoas, no dia 22 do mês, por volta das 17h, até meia noite.
Essa quadrilha, liderada por Ailton Machado e sua esposa Maria Pastora Machado, conta com uma equipe de 20 pessoas e virou música na voz de Guina. Todos os anos, Pastora Machado faz uma promessa para São João com uma tradicional roda de fogo, pedindo para que não chova durante a quadrilha. Uma certa vez, conta Guina, ela não fez a promessa e choveu, e esse dia se tornou inspiração de uma das músicas que animam os festejos juninos:
“Comadre Pastora já pagou sua promessa? Que história é essa de dever a São João? São Pedro falou assim: se não pagar, vou jogar água na quadrilha do Alecrim.
Era 22 de junho, salão perfeito, tava tudo animado. Chapéu de palha enfeitado, São Pedro olhou, mas ficou logo enfezado. O céu mudou, foi aquele corre, corre, um chove mais não chove.
Fizeram uma roda de fogo pra do céu pedir perdão. São João sorriu, São Pedro nem reclamou. O céu estrelado surgiu e a festança começou”.



A paz que o São João traz
“Eu me sinto feliz fazendo nosso povo feliz, minutos que sejam”, diz Guina sobre seu trabalho nas festividades. Ele fala que as festas deixam o povo unido, principalmente durante o arrasta-pé, que são como quadrilhas mais animadas e improvisadas, onde ele explica qual é a regra: “uma paradinha você tem que dançar, que seja intrigado, então não participe. Não tem que não pegar na mão, não tem que abraçar, senão não participa, a regra é essa”.
Além de escrever suas próprias canções, o cantor faz adaptações nas músicas que vão para o repertório das festas, levando as que estão no auge, e adicionando um ritmo de forró animado, pois como ele disse, se cantar algo “morno” o pessoal reclama. O momento é tão esperado que, no local sagrado onde realizam seu retiro, a pergunta sobre a programação da festa paira sobre as conversas.
“É a festa mais esperada. Que inclusive, quando a gente vai pra o Ouricuri [reserva indígena restrita onde acontecem os rituais sagrados e o retiro religioso de três meses], fica naquele momento a gente tá conversando na beira de um fogo e a garotada fica perguntando: ‘qual é programação? Qual a programação? Quando é que vai ensaiar?’”, diz Guina achando graça da empolgação das pessoas.
Brincar no São João na aldeia é também uma forma de sentir segurança entre os indígenas, pelo fato dos mais jovens permanecerem na aldeia para festejar, próximo dos cuidados dos mais velhos. Guina conta que entendeu isso em uma conversa que teve com sua tia: “eu cheguei e fui fumar uma xanduca [cachimbo indígena], aí minha tia disse: ‘Isso [as festas juninas] tá fazendo bem para o nosso povo. Faz parte da nossa paz que nosso Ouricuri prega, viu?’”.
Para eles, o São João tem um papel socio-educativo e atua como uma forma de aproximação da juventude. A tia de Guina, Maria de Julião, costumava dizer: “enquanto você juntar pra eles brincar aqui, melhor ainda. Nós estamos vendo eles tudinho”. Quando a festa chega ao fim, é um momento de alívio entre eles. O pedagogo Ramon comenta que é como se uma espécie de paz se instaure após os festejos de São João: “quando termina, clareia o dia, e tá todo mundo de paz, não houve briga, não houve morte, não houve nada, a pessoa respira e agradece por mais um ano ter passado por essa época”.

Na visão de Ramon, as festividades do branco nunca atrapalharam a preservação da sua cultura. Ele se posiciona contra a ideia de que não poderiam haver festejos populares como esses dentro de uma aldeia indígena. “ Isso não quer dizer nada. Nunca atrapalhou. Como eu disse: nós vivemos ao lado da cidade de Águas Belas. Eu trabalhar, seja em qualquer setor, não vai atrapalhar minha cultura, não vai atrapalhar minha ida pro nosso retiro.
Ele entende que, historicamente, as festividades são momentos de trégua. “Quantos não indígenas da cidade não vêm aqui pra aldeia? Quantos indígenas se casaram com o pessoal da cidade, e tem o pessoal morando aqui na aldeia, que são não indígenas. As festas do não-indígena é uma forma de celebrar essa junção, eu vejo assim.”
Ramon critica a ideia, ainda muito presente no imaginário social, da aldeia indígena como um lugar apartado e, reforça, que as culturas podem coexistir. “Tem ferramentas que ajudam os nossos costumes tradicionais. Só porque lá no Ouricuri é fechado, que eu não vou andar a pé, levar um dipirona, uma coisa pra febre, não vou de carro, não vou de roupa… Isso não existe. Essas ferramentas, internet e tudo, elas ajudam na nossa sobrevivência, a manter a nossa cultura. São de extrema importância tanto para os indígenas como para os não-indígenas.”
A festa para celebrar o São João é organizada pelo vereador indígena Valdo do Xixiaklá e sua esposa Yara de Cruz, com apoio do governo municipal. Já a segunda festa, a de São Pedro, é coordenada por Irlan Gomes, produtor de eventos, e também indígena Fulni-ô, sendo essa uma festa privada, com fundos da comunidade. Ambas as festas recebem público de toda a região.
Mudanças na tradição
Há mais ou menos 35 anos, Guina começou a cantar nas festas da aldeia, mas antes as comemorações eram restritas às crianças. Ele conta que os festejos aconteciam em uma casa, com pouca gente, e sem som, após as práticas religiosas na casa de alguma liderança, discursando sobre a paz. Depois desses encontros, havia um arrasta-pé liderado pelo cacique João de Ponte, que também cuidava da festa. A quadrilha era feita em frente à igreja, na área central da aldeia, e após ela as comemorações de São João eram finalizadas.
Em 1983, ele conta que foi para Barreiros (PE), cidade a 109 km da capital pernambucana, onde fez um arrasta-pé por lá, e depois, em 1985, quando voltou para a aldeia em Águas Belas (PE), ele levou a ideia para o dia de São Pedro. A prática acontece até os dias de hoje e é uma marca de festejos juninos de sua cultura, tendo uma pausa quando aconteceu a pandemia do Covid-19 em 2020 e 2021.
Para algumas pessoas não-indígenas da cidade, participar do São João dos Fulni-ô é uma tradição. Depois das comemorações da cidade é comum grupos “descerem” para a aldeia, onde, de certeza, a festa ainda estará acontecendo. Mariane Marques, formada em Letras, 23 anos, participa das festividades e conta que guarda boas memórias. “Sempre fui muito bem acolhida”, diz.
A participação dos não-indígenas, chamados de brancos pelos Fulni-ô, é entendida por Guina como uma forma de reconhecimento. “É de suma importância pra nós. Eu respondo pela aldeia em relação a isso. Por que eu respondo? Porque essa harmonia entre nós significa que eles nos valorizam, que eles nos respeitam”, diz Guina. Apesar de ser uma “festa dos brancos”, como eles se referem, é vivida de uma maneira única por eles, que a fazem de certo modo ser algo particular de sua cultura, não se tratando de reproduções de práticas juninas mais populares.


O São João tem raiz indígena
A presença da cultura popular dentro da cultura tradicional é também uma forma de contar sobre sobre a própria resistência histórica do povo Fulni-ô. O professor e antropólogo da UFPE, pesquisador em sociedades indígenas, Peter Schröder, entende que seria inimaginável uma barreira cultural entre os Fulni-ô e os não-indígenas de Águas Belas pela proximidade física e convivência entre os locais.
A aldeia está localizada em meio ao espaço urbano, chegando a se assemelhar a um bairro da cidade de tão próxima que ela é. O município está localizado a 340 km de distância da cidade de Recife, capital de Pernambuco, e possui cerca de 41.548 habitantes, de acordo com o IBGE. “A influência cultural dos não-indígenas não é nenhuma surpresa e é mais impressionante que os Fulni-ô conseguiram manter sua cultura tão viva apesar da proximidade dos brancos, né? Isso é mais surpreendente, o resto não, porque tem contato cotidiano com os brancos na cidade”, explicou o professor.

A pesquisadora Eliana Gomes Quirino em seus estudos sobre a etnia Fulni-ô diz que apesar de haver muitos elementos de outras culturas, eles não são indígenas aculturados. E que “esse modo de vida era fruto de severas perseguições, situações de tensão e de violência à cultura e à identidade dos indígenas índios do Nordeste os obrigaram a praticar um silêncio étnico e a invisibilidade”.
Por isso, Quirino considera que os Fulni-ô, ou qualquer outro grupo indígena, não devem ser pensados como indígenas aculturados, mas como povos que reelaboraram a sua cultura sem perder sua identidade. Os Fulni-ô mantêm aspectos culturais marcantes nos seus costumes, como o Toré, a língua Yaathe e o ritual sagrado do Ouricuri, mas também ressignificam elementos da cultura não-indígena como, por exemplo, o samba-de-coco e as festas católicas, como o São João e São Pedro, e a festa da padroeira da cidade.
O pedagogo Ramon reafirma o que a pesquisadora Eliane explica em seu trabalho, que a introdução de costumes não-indígenas foi fruto da luta por sobrevivência dos Fulni-ô em meio ao preconceito e perseguições que existiam na época colonial e pós-colonial. Em um breve resumo sobre a história, ele conta que os Fulni-ô são a junção de vários grupos que estavam fugindo do litoral, dos colonizadores. Com isso, eles se adentraram para as regiões mais internas do estado, onde se instalaram nas proximidades do Rio Ipanema, e daí surgiu o nome “Fulni-ô” em Yathee, que significa “indígena da beira do rio”. Com os colonos chegando no território de Águas Belas, eles precisaram se afastar mais e fixaram-se onde estão até hoje, mas ficando sem local de plantio e de pesca.
Sem mata, sem rio, e com a seca que assolava a região Nordeste, esse grupo não conseguiria sobreviver somente da sua subsistência, e precisaria encontrar outras formas de trabalho para viver. Com isso, uma parte da população foi trabalhar em fazendas locais, precisavam se adaptar à cultura dos não indígenas, se vestindo e se portando como eles, de forma disfarçada. Ramon explica que o intuito dos fazendeiros dessa época era: “extinguir os povos indígenas para se apropriar do território”.
Ele ainda acrescenta: “os indígenas naquela época, e até hoje, para os fazendeiros, são uma ameaça para os seus territórios”. Por isso, o disfarce era necessário: “o jeito foi esconder as suas pinturas, esconder o seu corte de cabelo, esconder principalmente a sua língua para se disfarçar no meio do pessoal não indígena, que era uma forma de sobreviver. Então, até hoje ficaram”, comenta Ramon. O produtor audiovisual ainda diz que “era um tempo que o pessoal tinha até medo de dizer que era indígena, morria de medo”.
Depois que essas pessoas voltavam para a aldeia, traziam consigo não somente alimento, mas também práticas e costumes diferentes das suas culturas. Além disso, a chegada da Igreja Católica no território, possibilitou que o padre Alfredo Dâmaso, primeiro padre a ter contato mais próximo com eles, começou a cantar a história do São João e São Pedro para eles e apresentar essas novas culturas.
Os próprios festejos juninos trazem consigo marcas culturais da cultura indígena na sua culinária. As comidas feitas de milho e mandioca, como pé de moleque, canjica e pipoca, já faziam parte da alimentação de diversos povos indígenas. Ou seja, as raízes do São João também são indígenas, e não apenas o contrário como se poderia pensar. Ramon enfatiza:
“Essa culinária do São João foi baseada na cultura indígena, porque eram os primeiros que estavam aqui, o pessoal do Nordeste. Os primeiros nordestinos são os indígenas, era o pessoal do litoral. A base todinha da culinária junina tem raiz nossa”.
O São João é também indígena e um espaço de convivência, cuidado coletivo e afirmação cultural.
Mais sobre povos indígena Fulni-ô
O povo Fulni-ô carrega um orgulho em seu meio: a preservação da sua língua materna, mesmo em meio às dificuldades demandadas pela sociedade não-indígena, como o preconceito. Entre as suas marcas culturais estão o artesanato, toré, cafurnas, bilinguismo por meio da prática da língua materna Yaathe e o ritual sagrado e secreto do Ouricuri, território sagrado e de reunião para rituais ancestrais. Nesse local, aberto apenas para a própria comunidade, acontece um retiro durante três meses do ano, que vai de setembro a novembro de cada ano.
A residência principal desse grupo é na Aldeia Grande, mas há também outros locais de vivências como a Aldeia Xyxyaklá. As atividades econômicas são decorrentes da agricultura, de pequenas criações de gado, do arrendamento de terras aos não-indígenas e do artesanato produzido com a palha do ouricuri e vendido nas Aldeias, na feira pública da cidade realizada no dia de segunda-feira ou ao longo do mês de abril, quando se espalham pelas mais diversas cidades do Brasil, especialmente, Recife, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba.
Atualmente, de acordo com dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o município de Águas Belas conta com 41.548 habitantes, e o povo Fulni-ô com 7.867. Dessa maneira, a comunidade Fulni-ô corresponde a quase 19% da população. Sua organização sociopolítica também é como a comumente conhecida em outras aldeias: um cacique, um pajé e um grupo de lideranças.