A trajetória de Sirley Amaro, mestra que contou histórias negras do RS a partir de tecidos

Sirley Amaro abriu caminhos para as novas gerações e preservou o legado da cultura popular negra em Pelotas
A bandeira que ostenta a palavra Zumbi em fuxicos é fruto de uma das várias oficinas da Mestra em escolas, construída junto dos alunos. Foto: Desirée Ferreira/Nonada Jornalismo

No conto A paixão de dizer/1, de O Livro dos Abraços, o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano narra sobre “uma mulher que canta e conta”. Em um trecho ele descreve: 

“Entre canção e canção, essa mulher conta boas histórias, e as conta espiando papeizinhos, como quem lê a sorte de soslaio. Essa mulher veste uma saia imensa, toda cheia de bolsinhos. Dos bolsos vai tirando papeizinhos, um por um, e em cada papelzinho há uma boa história para ser contada, uma história de fundação e fundamento.”

Quando ouviu o conto pela primeira vez, a Mestra Sirley Amaro identificou-se de imediato: “Mas, gente! Esse Galeano tá falando de mim!”, disse na ocasião – um breve intervalo com os bolsistas da Universidade Federal de Pelotas que a ajudavam na organização do seu portfólio para inscrição em um prêmio do Ministério da Cultura. A imagem da mulher vestida com saia de bolsinhos parecia a descrição exata de si mesma. Mesmo não sendo tão íntima do “tal Galeano”, bastou uma escuta atenta para que a mestra decifrasse o conto enquanto uma metáfora dos poderes mágicos da memória e da oralidade. Poderes esses que ela possuía. Por isso, se reconhecia na mulher que perambula nas neves do Norte pela caneta de Galeano.

O encontro com o conto foi tão definidor para a ações realizadas pela mestra realizadas ao longo de uma trajetória que entrelaça vida, cultura popular e as histórias afro-gaúchas. Agregadora de linguagens, Sirley organizou diversas oficinas, como a conhecida “Confraria do Fuxico”, projeto de valorização da cultura negra em escolas e espaços culturais de Pelotas, município da região sul do Rio Grande do Sul. 

Na proposta, ela propunha uma releitura da saia descrita no conto de Galeano só que a seu próprio modo: no lugar de bolsinhos, costurava retalhos de tecidos, os chamados  fuxicos, e os preenchia com palavras carregadas de histórias. A iniciativa era uma parceria com o grupo de extensão Pet Fronteiras, da universidade federal, que hoje guarda parte do acervo artístico e documental da mestra. A promoção de conexões entre a cultura popular e a universidade foi um dos fios da linha de sua caminhada, pois a ela importava muito o gesto de costurar — memórias, histórias, lugares, pessoas. 

Mestra Griô e costureira Sirley Amaro, uma das principais figuras da cultura popular de Pelotas. Foto: Museu da Pessoa/reprodução

Trama ancestral 

De ponto em ponto, Sirley Amaro tornou-se uma das principais figuras da cultura popular do estado. Nascida em 1936, ela viveu a maior parte de sua vida em Pelotas, atuando como mestra da cultura popular e costureira. Morou por alguns períodos em Porto Alegre, mas seu chão era o lugar onde nasceu, cresceu e veio a falecer em outubro de 2020, aos 84 anos. Seu legado segue vivo na cidade e ressoa para além.

Sirley é fruto de um amor nascido na cozinha. Seu pai, o pelotense João Xavier da Silva, tornou-se cozinheiro na mesma casa onde sua mãe, Ambrosina Soares, trabalhava como babá. Ela nasceu em Canguçu, mais especificamente em Iguatemi, localidade hoje reconhecida como quilombo pela Fundação Cultural Palmares. Como uma mulher atenta às raízes, em entrevistas, Sirley sempre destacava a habilidade da mãe na feitura de pomadas e unguentos com ervas e temperos. 

A mestra foi uma das vozes que rompeu com a narrativa oficial de uma Pelotas escrita somente por brancos à moda europeia. Sua atuação é marcada pela defesa da memória e da história do povo negro na cidade e sua paixão pelo Carnaval local. Com o tempo, o trabalho dedicado à cultura popular aproximou a mestra do Movimento Negro que florescia na cidade. No ano de 2019, em sinal de reverência máxima, a comunidade passou a chamar a marcha em alusão ao Dia da Consciência Negra, no dia 20 de novembro, de Marcha Mestra Griô Sirley Amaro.

Parte fundamental do reconhecimento de Sirley Amaro como representante da cultura popular de Pelotas se dá através de sua relação com o Carnaval, aprendida desde o berço. O pai era um folião, brincante, puxador de blocos e espécie de mestre-sala. A mãe organizava bailes informais de Carnaval em casa, e acolhia familiares e amigos que quisessem curtir a folia pela histórica Rua XV em sua casa na Major Cícero, região central da cidade. 

Como foliã, Sirley marcou presença nos blocos e nos desfiles, frequentando bailes dos clubes sociais negros Chove Não Molha e Depois da Chuva. Como costureira, criou adereços e fantasias para escolas de samba, como General Osório e Estação Primeira do Areal, e também a quem solicitasse. A especialidade que mais lhe encantava fazer e também vestir: roupa de baiana. Além de costurar, desfilava em diversas escolas de samba da cidade. O conhecimento, como mestra que era, acontecia na prática, no corpo e no pensamento. Segundo Álvaro Amaro, percussionista, sopapeiro e facilitador cultural conhecido como mestre Saravaeishon, o filho primogênito de Sirley relembra: “ela sabia cantar, sabia tocar. Sabia qual escola ia passar só pelo batuque.”

Entre tantas facetas, a contação de histórias tornou-se sua marca principal. “A mãe era um arquivo vivo, uma biblioteca ambulante”, define o rapper e ativista cultural Eduardo Amaro Mister, filho caçula de Sirley. Após o recebimento do título de Mestra Griô em 2007, quando já estava aposentada da costura, Sirley dedicou mais de uma década a viagens pelo Brasil divulgando a cultura popular, o artesanato têxtil e promovendo oficinas em diversas escolas de Pelotas. É também após o recebimento do título que intensifica sua presença no espaço acadêmico. Em 2019,  ela se tornou a primeira mulher negra a receber o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Pelotas.

Registro de oficina com a produção dos fuxicos para a saia, Foto: Desirée Ferreira/Nonada Jornalismo

Sob a estampa de Mestra

Os ecos de Mestra Sirley são sentidos e vivenciados por aqueles que puderam a conhecer em vida ou através de seu legado. “Em função dela, a gente aprendeu a valorizar a memória da gente porque seus projetos sempre foram conectados com as vivências que ela tinha”, reflete Marielda Barcellos Medeiros, pedagoga, militante dos movimentos sociais de mulheres e do Movimento Negro Unificado, Secretária Municipal de Políticas para as Mulheres de Pelotas e amiga de mestra.

Valorizar o caráter educativo de suas vivências e perceber a memória coletiva a partir de sua trajetória e sua ancestralidade são práticas inerentes à Dona Sirley Amaro antes mesmo de receber qualquer título ou chancela. Em uma autodefinição registrada em texto pelo pesquisador, professor da universidade federal, amigo e Griô aprendiz Felipe Martins, em sua tese, Sirley se define como alguém que desde sempre “fala muito, gosta de encenar e explicar muito suas histórias”.

A prática da contação de histórias dedicada principalmente às crianças nasce da profunda compreensão de que a infância é um terreno fértil para semear sujeitos donos de suas próprias histórias, e, com ainda mais sorte, futuros mestres, contadores de histórias e operários da memória e da oralidade.

“Tem gente que pensa que as crianças não param para ouvir [contação de histórias], e é o contrário. Eu digo para as pessoas que é importante contar histórias, que as crianças ouvem. Porque é como eu me lembro de coisas da minha infância”, conceituou em fala documentada na tese de Felipe.

Suas histórias desaguavam de uma escuta curiosa e atenta exercida desde pequena. Compartilhava histórias sobre os comportamentos de modos de vida sobre as diferentes épocas vividas em Pelotas – e as dinâmicas de gênero, raça e classe em tudo isso –, as transformações do Carnaval, sua relação com os territórios da cidade e algumas marchinhas memoráveis, a sabedoria ancestral negra aprendida pelos pais ou na coletividade, através da história de figuras históricas, como Zumbi dos Palmares. 

Felipe Martins, griô aprendiz, amigo e pesquisador da Mestra Sirley Amaro, responsável pelo acervo da Mestra localizado na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Foto: Desirée Ferreira/Nonada Jornalismo

De acordo com o pesquisador, Sirley Amaro promovia projetos sociais atrelados à cultura popular. E é a partir deles que inicia sua relação com o campo acadêmico. Através de um projeto de extensão da Universidade Católica de Pelotas no Instituto de Menores Dom Antônio Zattera, Sirley conduziu oficinas de costuras e de práticas manuais, como a produção de baquetas, para crianças e adolescentes. É nesse intercâmbio entre práticas populares e ambientes universitários que Sirley Amaro é nomeada Mestra Griô. 

Em todos os momentos de sua vida, as parcerias e amizades foram decisivas para a caminhada da mestra. Em 2006, o Centro de Ação Social, Cultural e Educacional Odara, projeto gestado por militantes do movimento negro na cidade, como Mestre Griô Dilermando Freitas, era parceiro do ponto de cultura Chibarro Mix Cutural, gerido pela Universidade Federal de Pelotas. Nesse espaço, surgiu a iniciativa de inscrever mestres da cultura popular de Pelotas na Ação Griô Nacional, do Programa Cultura Viva, lançado pelo Ministério da Cultura durante a gestão de Gilberto Gil. O projeto tinha como foco mobilizar, articular e formalizar práticas conectadas à tradição Griô e sua pedagogia. 

“Um dia, a coordenadora do Chibarro falou que precisava de duas pessoas mais velhas e com conhecimento para botar no projeto [Cultura Viva]. Eu respondi: Olha, eu tenho a Dona Sirley. Ela é costureira, ela é do carnaval, ela é ativa dentro do movimento social, ela é contadora de histórias”, relembra Dilermando. Junto dela, indicou o Mestre Batista, reconhecido mestre de bateria, ritmista e sopapeiro.  

A icônica saia de fuxicos da Mestra Sirley Amaro. Foto: Desirée Ferreira/Nonada Jornalismo

 Mestra das infâncias

Dona Sirley — modo carinhoso como é chamada por amigos e pessoas próximas — ministrou oficinas para diferentes públicos e sobre as mais diferentes temáticas, como a Oficina Histórias de Amor, as de Carnaval e até um Cortejo Griô, formado por mestres da cultura, no histórico clube cultural afro-brasileiro Fica Ahí Pra Ir Dizendo, em Pelotas. Entretanto, sua principal atuação se deu no interior das escolas, junto de crianças, em especial com alunos do quarto ano do ensino fundamental. Nos encontros com as infâncias, ela fazia florescer sua costura favorita: a da música, oralidade e ancestralidade. 

“A mestra sempre chegava cantando algo, né?”, rememora Josiane Dias, pedagoga, professora da rede municipal de Pelotas, coordenadora pedagógica da Educação para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação e amiga da mestra. Ela foi professora na Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Irene, unidade onde a mestra ministrava oficinas frequentemente. Josi conta: 

“As oficinas e vivências aconteciam através da união entre música, contação de histórias e saberes afro-brasileiros. Junto com as crianças, construía os fuxicos e as abayomis.” A escola ainda preserva uma bandeira elaborada durante oficinas na mestra, em que Sirley pediu aos alunos para que escolhessem uma palavra significativa para costurar com fuxicos. 

O acervo de Mestra Siley Amaro é feito com tudo aquilo que uma mestra da cultura popular mantinha em uma modesta casa de um quarto: moradia, ateliê, biblioteca, lar. Foto: Desirée Ferreira/Nonada Jornalismo

“A palavra que escolheram foi ‘Zumbi’”, lembra Josiane. “Ela trazia instrumentos, como xequerê [instrumento de percussão com redes de contas produzidas por ela mesma] e baquetinhas enfeitadas As crianças iam fazendo a marcação da música. Tudo sempre começava com uma cantoria”. 

Conforme observado na dissertação de mestrado Narrativas de educação e resistência: a prática popular griô de Dona Sirley, de Cristiano Guedes Pinheiro, as oficinas da mestra organizavam-se a partir de um “ambiente ritual” composto por diversos elementos: fotos, cenários com estandartes, saias, vestidos e camisetas de carnaval, e cartões postais e fotografias antigas expostas sobre a mesa.  A pesquisa de Pinheiro revela que era comum que Sirley se apresentasse aos participantes das oficinas com uma roupa característica que “poderia variar entre um vestido de baiana, um manto imitando a pele de um tigre, uma roupa de mascarado ou simplesmente usando o ojá – um manto típico enrolado na cabeça à moda de turbante”. 

Havia em Sirley uma disposição quase que integral para as contações de histórias, uma inquietação em colaborar, criar, planejar e realizar. “Ela sempre estava propondo e indo ao encontro da escola”, observa Josiane. O ser mestra era a ponte entre a já idosa Sirley e as crianças de suas oficinas, um elo entre o passado e o futuro que se encontram no presente. Um tempo circular como as rodas que formava em suas contações. Mesmo após anos, e até décadas, de alguma oficina realizada, a pedagoga afirmava que o vínculo dos alunos com a mestra não se perdia. Para muitos, ela seguia como referência de sabedoria e amorosidade. 

Pedagogia do Fuxico

O fuxico é a assinatura de Sirley Amaro. Na costura, ele é conhecido por ser uma técnica artesanal de reutilização de retalhos de tecidos para confecção de uma espécie de trouxinha de pano. O surgimento dos fuxicos é atribuído ao povo negro e teria sido desenvolvido durante o período escravocrata, a partir da costura feita por mulheres negras escravizadas com a sobra de tecidos desprezados pelas famílias dos senhores de escravos, enquanto conversavam.

A centralidade do fuxico em suas práticas de ensino inspiram a “pedagogia do fuxico”, analisada por Felipe na tese “A pedagogia do fuxico: saberes e vivências de um Griô Aprendiz ao ritmo de Sirley Amaro”. Através dela, é possível perceber um método de ensino próprio da mestra, que bebe da fonte da Pedagogia Griô, mas o transpõe. “É uma pedagogia afetiva, onde o reconhecimento da relação humana é um dos eixos centrais. Onde assumimos educação como relação”, explica Felipe. A ludicidade – representada pelo brincar –, a oralidade, a musicalidade e a ancestralidade formam a base da pedagogia do fuxico. As vivências de Sirley Amaro fundamentam sua prática: aprendemos uns com os outros o tempo todo.

Existe uma diferença entre falar com uma criança de cima para baixo e falar de joelhos dobrados, com os olhos à mesma altura. A mestra sabia bem disso e transmitia seus conhecimentos a partir da troca, da escuta e da alteridade. Felipe exemplifica:   

“Em uma escola zona rural, Dona Sirley foi dar uma oficina para crianças de [famílias que] plantavam fumo. Aí tu pensa… mas o que tem a ver plantação de fumo com Dona Sirley, que é costureira? Na hora, Dona Sirley começou a contar histórias sobre como ela lidava com a máquina de costura, porque ela sabia que no processo de beneficiamento do fumo há a costura das folhas. E que essas crianças também poderiam se sentar na máquina de costura como ela”. 

Um legado além tempos

Quem conviveu com a mestra é unânime em afirmar que ela era uma mulher da rua. Nascida numa época em que o centro de Pelotas era estigmatizado pela presença de meretrizes, Sirley Amaro, anos depois, veio a disputar os múltiplos sentidos do que pode ser uma mulher da rua: uma mulher que transitava e vivia a cidade e suas gentes; uma idosa que se deslocava com autonomia; uma mulher em trânsito constante. Prova disso é que a principal ferramenta de trabalho da mestra era uma mochila de rodinhas, com a qual andava pelas ruas carregando os materiais de suas oficinas, verdadeiras bússolas de seu mundo próprio e coletivo. Uma mochila de rodinhas com ares intergaláticos; um universo que conectava mundo individuais e coletivos.  

Após o falecimento de Sirley, o filho Eduardo cedeu uma série de coleções, roupas, fotografias e demais itens da mãe, como a mochila, aos cuidados do Griô Aprendiz Felipe Martins. Hoje, o robusto material dá vida ao Acervo Sirley Amaro, situado na Universidade Federal de Pelotas. 

Logo na porta do acervo, nos deparamos com o doce olhar de Sirley, capturados pela ilustração da mestra que estampa o selo da Marcha Mestra Griô Sirley Amaro. Uma vez do lado de dentro, os ecos dos materiais colecionados por ela transformam a sala em uma experiência imersiva. Como se entrássemos em seu mundo particular. A variedade de linguagem também está presente nos diversos itens colecionados por ela: edições da Revista Raça, icônica publicação dedicada à população negra, e de revistas do Carnaval do Rio; bandeiras e camisetas das escolas de samba cariocas; instrumentos musicais, saias, tecidos, livros, acessórios e bonecas de pano se organizam pelas prateleiras garimpadas e instaladas por Felipe. 

Amigos, militantes, membros da cultura popular e estudantes foram convidados pelo Nonada para a foto coletiva em homenagem à Mestra Sirley Amaro, na Praça Pedro Osório, em Pelotas, Foto: Desirée Ferreira/Nonada Jornalismo

Maços e maços de fotos que registram seus passos nos blocos e desfiles de carnavais, sua jornada como oficineira e sua caminhada ao lado do movimento social e de mestres da cultura popular da cidade, como o mestre Giba Giba. Salta aos olhos o viés curatorial, pesquisador e arquivista da mestra. Objetos fascinantes, como um pote de vidro com incontáveis miçangas coloridas, que tornam-se índices de sua biografia, de sua visão política, de sua intelectualidade e de sua produção artística. Um acervo feito com tudo aquilo que uma mestra da cultura popular mantinha em uma modesta casa de um quarto na Cohab Lindoia: moradia, ateliê, biblioteca, lar.

A relação da mestra com o Carnaval, a rua e a cidade é o motor de outra iniciativa de preservação do seu legado. De acordo com Marielda, há planos para criar um monumento dedicado à Mestra Sirley Amaro no entorno do Chafariz da Praça Coronel Pedro Osório. Sirley trazia a memória dos blocos de Carnaval que curtiu no “redondo”, como chamava o local, e um de seus grandes desejos era ocupá-lo com blocos novamente.

Nos quase dez anos de convivência com Dona Sirley, Felipe observou que, para ela, o significado de ser mestra da cultura carregava o sentido de “manter viva a ideia de ancestralidade”. Ele detalha: “Entender que antes de mim veio alguém aqui. Que depois de mim, vem alguém aqui. E que eu sou o elo entre essas coisas. E que esse ‘eu’ é um ‘eu coletivo”.  

Do gabinete da Secretaria da Educação, Josiane trabalha na elaboração de um projeto para tornar a vida da mestra parte do currículo de ensino nas escolas, ao lado de outras personalidades negras de Pelotas.  “Na minha sala de aula ela é presença viva. Em muitas outras salas de aula da cidade também”. Mestra Sirley Amaro segue desafiando o tempo a partir dos fuxicos que deixou ao longo do caminho. 

*A reportagem integra o livro “Patrimônio Vivo: as histórias e memórias de mestres de cultura do Rio Grande do Sul”, publicado pelo Nonada Jornalismo em 2025. Baixe gratuitamente.

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