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Recortes l Economia da Cultura – A arte em transformação

Ministra da Cultura lança programa de fomento para museus em BH. Foto: Pedro Silveira, Ascom/MinC/Divulgação

É passeio quase obrigatório na escola e programa primordial nas viagens. No entanto, vamos falar a verdade: os museus locais não parecem tão interessantes, né? Pois é focado em mudar essa realidade que acontece, durante esta semana, a 10ª Semana dos Museus, que envolve 1114 instituições culturais em todo o país. A programação prevê 3.420 atividades, desde visitas guiadas até apresentações de filmes e espetáculos, com o tema “Museus em um Mundo em Transformação – Novos desafios, novas inspirações”.

Na abertura do evento, que celebra o dia internacional de museus, comemorado dia 18 de maio, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), José do Nascimento Junior, lançaram o cronograma de editais do Programa de Fomento aos Museus Ibram 2012. “O Brasil tem que investir cada vez mais na memória e os espaços dessa memória são os museus”, afirmou a ministra, e completou: “devemos ter a preocupação de fazer um espaço atrativo para os jovens”.

O debate é válido, sem dúvida. A questão é: até que ponto a cultura deve se adaptar ao cidadão, e não o contrário? Na mesma linha: por que é tão legal viajar e conhecer os museus do exterior, e os daqui não? Não conheço ninguém que se orgulhe de ter ido a Paris, por exemplo, e não ter visitado o Louvre. E o que viu lá? Ora, a Monalisa. Afinal, porque é dever observar a Monalisa, quando temos obras tão importantes quanto ela aqui mesmo no país? E não é pela arquitetura do Louvre, que é, claro, muito inovadora, mas a da Fundação Iberê Camargo também é e ainda oferece um belo por-do-sol. Acontece que as pessoas sabem quem foi Leonardo da Vinci e o que representa a Gioconda, mas não sabem quase nada sobre Aleijadinho e sua importância para a cultura mineira, por exemplo.

Governo quer mudar a impressão de que ir a museu é chato. Foto: Leila Ghiorzi

Se querem tornar os museus mais atrativos, a primeira providência que deve ser tomada é o investimento em educação. História, literatura, ciências e geografia devem fazer parte da composição natural de um indivíduo, para que ele valorize os indícios que encontra nos museus. E é justamente essa parte mais negligenciada no país. Mesmo sendo o Brasil, agora, a sexta economia do mundo, nossos investimentos em educação e cultura são irrisórios. De acordo com uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, instituição que reúne os 31 países mais ricos do mundo, o Brasil investe em educação apenas um quinto do montante destinado ao setor pelos países desenvolvidos, em valores absolutos.

O que temos, consequentemente, são professores despreparados para enfrentar o desafio de preparar uma aula que atraia a atenção do aluno, em escolas sem infraestrutura e, claro, pouco atraentes, já que não se mostram úteis. E isso em todos os níveis da educação. Observamos isso diariamente, inclusive nas salas de aula de faculdades reconhecidas pela qualidade de ensino. Me surpreende e indigna, por exemplo, que uma estudante de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul ainda questione se a Revolução de 30 e a posse do presidente Getúlio Vargas tenham sido importantes para o país. Enquanto tivermos pessoas com esse grau de (des)conhecimento da própria história, continuaremos sem ter frequentadores de museus, por mais que eles se reinventem.

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Ainda assim, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro está entre as 12 instituições culturais mais visitadas no mundo, segundo o presidente do Ibram.  Resta uma esperança.

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Em Porto Alegre, a Fundação Iberê Camargo, o Santander Cultural, o Museu de Arte Contemporânea, o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo e o Museu Julio de Castilhos, entre outros, têm atividades da 10ª Semana Nacional dos Museus. Confira a programação completa aqui, inclusive para as outras cidades do país.

 

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